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quinta-feira, 24 de junho de 2010
A FESTA DE SÃO JOÃO!
Quem é o festejado:
Diz a lenda que João é primo de Jesus, filho de Isabel,irmã de Maria,nascido a 24 de junho e degolado a mando de Herodes,no castelo de Macheros,Palestina,a 29 de agosto do ano de 31.
Como Isabel morava distante,as irmãs combinaram que,quando chegasse a hora,Isabel acenderia uma fogueira para avisar Maria,que iria acompanhá-la no nascimento do menino.Daí,a tradição das fogueiras.
O verdadeiro João,não era homem de boas caras;pregador severo,sem papas na língua,intolerante com os erros humanos e ,particularmente,detestado por Herodíades,mulher de Herodes e principal vítima da sua catilinária, por ter se casado com o cunhado.
Quem transformou João, de comedor de gafanhotos no deserto e áspero pregador,no menino sorridente e de cachinhos encaracolados,foi a tradição ibérica,cuja festa em sua homenagem,transformou-se num ato dionisíaco,com cantos,danças,comidas e bebidas á larga,onde não faltam uns toques de sensualidade,tais como banhos coletivos ao romper da madrugada ,adivinhações para casamento e previsões,as mais diversas.
O santo, segundo a lenda,adormece durante o dia em que é tão celebrado pelo povo,ruidosamente em todos os países;
Uma boa pedida, porque, se o menino acorda e vê o brilho e calor das fogueiras,montadas em sua honra,não resistirá ao desejo de descer do céu,para participar dos festejos e o mundo acabará pelo fogo.
Se João soubesse
Quando era o seu dia,
Descia do céu á terra
Com prazer e alegria.
Por isso ele pergunta, ansioso:
Minha mãe, quando é meu dia?
-Meu filho, já se passou!
E, magoado:
-Uma festa tão bonita,
Minha mãe não me acordou!?
Acorda,João!
Acorda,João!
João está dormindo,
Não acorda,não!
A ÉPOCA!
O nascimento de João coincide com o solstício de verão nos países europeus ou de inverno, na América Austral.
Os lavradores festejavam a proximidade das colheitas e aproveitavam para fazer os sacrifícios e exorcismos para afastar as más energias que destruíam as plantas e secavam os grãos;toda a Europa acendia fogueiras nos topos das colinas,dançava ao redor do fogo,saltava sobre as chamas,para atrair messes abundantes.O fogo afugentava os demônios da fome,do frio,da miséria.Esses cultos a muitos deuses,realizados ao mesmo tempo em todos os hemisférios,passaram para o domínio do folclore e ganharam o mundo.
CURIOSIDADES:
As notas musicais foram retiradas de um hino em louvor a São João, escrito em latim por Guido d´Arezzo,como se pode conferir:
UTquent laxit(Para que possam)
REssonare fibris(ressoar as)
MIra gestorum(maravilhas de teus feitos)
FAmuli tuorum(com largos cantos)
SOLvi polluti(apagar os erros)
LAbil reatum(dos lábios manchados)
SAncte joannes.(Ó São João!)
*tradução livre
Com o decorrer do tempo a nota Ut foi substituída pelo dó e Sa,por si.
SÃO JOÃO EM PORTUGAL
É um dos cultos mais antigos e populares!
Portugal difundiu no espírito da sua população todas as superstições, crendices,adivinhações e agouros,nesta festa de 23 de Junho,uma mistura de vários cultos desaparecidos reunidos sob o manto de um santo católico.
A Igreja,que não é boba nem nada,tolerou estas tradições tão arraigadas na alma popular e encampo-a entre seus cultos.
É famoso o São João da cidade do Porto,com sua festa maravilhosa,danças,bandeirolas,comidas típicas,fogueiras e adivinhas,sardinhas assadas e vasos de manjericão que os enamorados trocam entre si.E tome marcha!
O São João, em Portugal,está entre as 20 melhores comemorações européias.
Em Lisboa,no bairro da Alfama,como não podia deixar de ser,está a melhor festa.Bebe-se ginginhas,(bebida feita de uma fruta que lembra a cereja),licor de cereja e anda-se pelas ruas,á vontade,curtindo os festejos.
Nas aldeias,ainda persistem as procissões com animadas quermesses nas ruas,bailaricos e ajantarados fartos,de se comer até arrebentar.
A festa de Portugal é de rua;começa com a festa de Santo Antonio a 13 de junho,pois,embora o padroeiro de Lisboa seja São Vicente,quem manda e desmanda é o Antonio casamenteiro.
Na Alfama,aquela que não envelhece,como reza a modinha,na Graça,na Madragoa,no Castelo o ar cheira a sardinhas assadas,deliciosas,enquanto os namorados trocam vasos de manjericão,com bilhetes amorosos presos neles;doces quadras de amor e esperança.
No Porto,além das marchas,belas e cadentes,temos o alho poro,os martelinhos de São João,de plástico,com as pontas em formato de sanfona e que se bate levemente na cabeça uns dos outros,emitindo um som.Não esquecer os fogos de artifício.
Apesar do manjerico ser o ponto principal da festa e ter um cheiro maravilhoso,não se deve cheirá-lo,pois,pode matar a planta;deve-se colocar a mão em cima e depois cheirar a mão.
Presentes estão as adivinhações, ou adivinhas,os modos de “tirar”a sorte,que nos veio dos lusos,mas,isso é assunto para outra conversa.
Feliz São João para todos os portugueses, especialmente os meus inúmeros leitores e amigos de lá.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
TRADIÇÕES DO NATAL: O PRESEPIO

TRADIÇÕES DO NATAL: O PRESEPIO
Devido ao Censo ordenado pelo Imperador Augusto,a família de Jesus teve que se deslocar para Belém da Judéia e,como era de se esperar,não encontrou acomodações dignas para Maria,grávida de nove meses.
Aflito,José os acomodou numa gruta ou cabana,fazendo uma caminha de palha para o Menino,nascido há pouco.
Este lugar,sem conforto,mas,limpo e seco,era onde se colocavam os animais para descanso e se chamava presépio,ou curral,ou estábulo.
A primeira representação do presépio ligado ao nascimento de Jesus,foi feita na Itália,no sec.XII,por São Francisco de Assis,em forma de teatro popular. Difundido por toda a Europa cristã,no sec.XVI,teve,em Portugal,o seu ápice,com as autarquias bancando a festa,como na Vila Nova de Famalicão,cujo presépio era considerado o mais belo.
Dele constava a Sagrada Família, anjos,animais,como a vaca e o burrinho,além de figuras portuguesas típicas como o moleiro e seu moinho,a lavadeira,os bailarinos,a mulher com o cântaro na cabeça,as figuras em barro,verdadeiras obras de arte.
No Brasil do sec. XVIII,os presépios eram parecidos com os portugueses;os pintores,encarnadores de imagens,artistas populares,se esmeravam na confecção das figuras. Cidades,montes,rios,tudo era fabricado e formava o cenário propício à tão bela tradição.
As encomendas eram muitas e os ganhos, fartos.
Ganhadeiras, trazendo grandes tabuleiros à cabeça,apregoavam esses artefatos,chamando a atenção dos compradores balançando um chocalho de folha de flandres e cantarolando:
As barras do dia
Já vem clareando;
Que belo menino
Na Lapa,chorando.
Era a certeza que o Natal vinha chegando.
Igrejas, conventos e casas de família armavam seus presépios cada uma querendo ser melhor que o outro,para isso não medindo esforços nem gastos.
O mais afamado presépio da época era o da Soledade, pela beleza das figuras,obra do grande escultor Bento Sabino dos Reis.
Nesta época,em Portugal e quiçá,na Bahia,o presépio era armado no Advento,porém,sem o menino,colocado na noite de 24 de dezembro,após a Missa do Galo.
Logo cedo, toda a família,escravos,agregados se mobilizavam para a construção do presépio;os fâmulos saiam á busca das folhas de pitangueira,pinhas e das frutas do Natal que colocavam sobre uma mesa,os galhos arqueados formando arcadas,enfeitados de flores silvestres e pequenos frutos.
No interior da Lapa, formada,quase sempre de papel grosso pintado de tinta marrom,repousava o Menino,entre palhas,de um lado a Virgem,do outro,São José,os demais personagens,os pastores e os Reis Magos,em profunda adoração.
Pessoas embasbacadas abriam a boca de admiração: estava lá o monte escarpado,as águas cristalinas,correndo sinuosas,tendo ao fundo a cidade de Belém com suas torres,zimbórios e fortalezas;os três reis com seus criados;animais de carga.Diversas árvores e arbustos,animais de criação,pastores com oferendas,figuras portando túnicas de linho e sandálias.
No alto,céu de estrelinhas douradas,feitas de papelão e areia brilhante,nuvens de algodão.
Contempla o quadro divino
São José,ajoelhado,
E a Santíssima Maria
De Jericó, meiga flor.
As moças e matronas da família, além das visitas,cantavam:
Santo,santo,santo
Hoje é quem brilha
Salve o Verbo Encarnado,
Deus e maravilha.
Depois, seguia-se a lauta ceia com muitas iguarias, o vinho do Porto,os frutos saborosos e carnudos,o roxo vinho Figueira,os licores,a doçaria;bebia-se à saúde da dona da casa e até ao Deus Menino. Depois, uma animada função,como se chamavam os bailes ,que se prolongavam até o amanhecer, pois,nesta noite feliz,ninguém dormia.
Devido ao Censo ordenado pelo Imperador Augusto,a família de Jesus teve que se deslocar para Belém da Judéia e,como era de se esperar,não encontrou acomodações dignas para Maria,grávida de nove meses.
Aflito,José os acomodou numa gruta ou cabana,fazendo uma caminha de palha para o Menino,nascido há pouco.
Este lugar,sem conforto,mas,limpo e seco,era onde se colocavam os animais para descanso e se chamava presépio,ou curral,ou estábulo.
A primeira representação do presépio ligado ao nascimento de Jesus,foi feita na Itália,no sec.XII,por São Francisco de Assis,em forma de teatro popular. Difundido por toda a Europa cristã,no sec.XVI,teve,em Portugal,o seu ápice,com as autarquias bancando a festa,como na Vila Nova de Famalicão,cujo presépio era considerado o mais belo.
Dele constava a Sagrada Família, anjos,animais,como a vaca e o burrinho,além de figuras portuguesas típicas como o moleiro e seu moinho,a lavadeira,os bailarinos,a mulher com o cântaro na cabeça,as figuras em barro,verdadeiras obras de arte.
No Brasil do sec. XVIII,os presépios eram parecidos com os portugueses;os pintores,encarnadores de imagens,artistas populares,se esmeravam na confecção das figuras. Cidades,montes,rios,tudo era fabricado e formava o cenário propício à tão bela tradição.
As encomendas eram muitas e os ganhos, fartos.
Ganhadeiras, trazendo grandes tabuleiros à cabeça,apregoavam esses artefatos,chamando a atenção dos compradores balançando um chocalho de folha de flandres e cantarolando:
As barras do dia
Já vem clareando;
Que belo menino
Na Lapa,chorando.
Era a certeza que o Natal vinha chegando.
Igrejas, conventos e casas de família armavam seus presépios cada uma querendo ser melhor que o outro,para isso não medindo esforços nem gastos.
O mais afamado presépio da época era o da Soledade, pela beleza das figuras,obra do grande escultor Bento Sabino dos Reis.
Nesta época,em Portugal e quiçá,na Bahia,o presépio era armado no Advento,porém,sem o menino,colocado na noite de 24 de dezembro,após a Missa do Galo.
Logo cedo, toda a família,escravos,agregados se mobilizavam para a construção do presépio;os fâmulos saiam á busca das folhas de pitangueira,pinhas e das frutas do Natal que colocavam sobre uma mesa,os galhos arqueados formando arcadas,enfeitados de flores silvestres e pequenos frutos.
No interior da Lapa, formada,quase sempre de papel grosso pintado de tinta marrom,repousava o Menino,entre palhas,de um lado a Virgem,do outro,São José,os demais personagens,os pastores e os Reis Magos,em profunda adoração.
Pessoas embasbacadas abriam a boca de admiração: estava lá o monte escarpado,as águas cristalinas,correndo sinuosas,tendo ao fundo a cidade de Belém com suas torres,zimbórios e fortalezas;os três reis com seus criados;animais de carga.Diversas árvores e arbustos,animais de criação,pastores com oferendas,figuras portando túnicas de linho e sandálias.
No alto,céu de estrelinhas douradas,feitas de papelão e areia brilhante,nuvens de algodão.
Contempla o quadro divino
São José,ajoelhado,
E a Santíssima Maria
De Jericó, meiga flor.
As moças e matronas da família, além das visitas,cantavam:
Santo,santo,santo
Hoje é quem brilha
Salve o Verbo Encarnado,
Deus e maravilha.
Depois, seguia-se a lauta ceia com muitas iguarias, o vinho do Porto,os frutos saborosos e carnudos,o roxo vinho Figueira,os licores,a doçaria;bebia-se à saúde da dona da casa e até ao Deus Menino. Depois, uma animada função,como se chamavam os bailes ,que se prolongavam até o amanhecer, pois,nesta noite feliz,ninguém dormia.
* Visite também:www.mirokcaconversafiada.blogspot,com
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