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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

LÁ VEM O TREM...



Morro de inveja dos europeus que podem cruzar toda a Europa de trem.
E,não consigo entender como um país de dimensões continentais como o Brasil não dispõe de uma rede ferroviária significativa,que facilitaria muito a vida dos brasileiros nas suas viagens através do pais,desafogaria as estradas,diminuiria a dependência de combustíveis(e,conseqüentemente a poluição),além de nos proporcionar roteiros   encantadores,como cidades históricas,vales,florestas,paisagens belíssimas e diversificadas,um passeio memorável pela cultura desse pais.
Voltar aos trilhos seria a glória!
Minas Gerais,com suas  ferrovias construídas desde a época colonial é um  convite para o turismo  ferroviário.
O “Trem do Vale,” (tremdovale.org)que percorre 18km e nos leva a Ouro Preto,Mariana possui vagões à moda antiga com direito à vista panorâmica por módicos$30.00 ida e volta.E ainda conta com uma biblioteca infanto-juvenil nas estações,para quem quiser divertir-se lendo um bom livro ou acessar a internet.
Mas,não ficamos por ai.
No Espírito Santo temos o “Trem das Montanhas Capixabas”(tremdasmontanhascapixabas.com.br) cuja rota,chamada de Rota do Sol e das Montanhas,começa na Estação de Viana,na Grande Vitória,percorre 46km e serpenteia a Serra da Mantiqueira,engolindo pontes,abismos,túneis,cachoeiras.
Lá vai a Maria Fumaça subindo serras,encarando aclives e atingindo até 530m acima do nível do mar,até chegar a Marechal Floriano,não sem antes nos levar a Domingos Martins,com sua cultura originária de imigrantes alemães e italianos,revelada na culinária,na arquitetura,nas artes e costumes.
Operada pela Serra Verde Express(www.serraverdeexpress.com.br),maior operadora de trens turísticos no Brasil,esse trem  carrega 56 pessoas e opera nos feriados e finais de semana,ao preço de $172.00 por pessoa.
Entusiasmado?Então,porque não ir ao Pantanal?
Pegue o Pantanal Express(www.pantanalexpress.com),um lindo trenzinho com capacidade para levar,com conforto e segurança 400 pessoas.
Uma viagem encantadora e divertida,apreciando a fauna e flora mais rica do  mundo.
Partimos de Campo Grande,capital do Mato Grosso do Sul e percorreremos 220km de ferrovias até Miranda,passando antes em Aquidauna.
A viagem ,sempre nos fins de semanas e feriados ,dura sete horas de diversão garantida em que podemos ver jacarés,tuiuiús,capivaras,flamingos,além da mais exuberante flora da região.
O percurso dura sete horas e custa $154.00 por pessoa.
Melhor do que ir para Miami,cara – pálida.
Agora,se você estiver bom de banco,por cima da carne seca,abonado,como se diz porque não aproveitar uma viagem luxuosa?
Não chega a ser o Orient Express,mas,dá pro gasto.
Entre em contato já com o “Great Brazil Express”(www.greatbrazilexpress.com.br),primeiro trem de luxo do pais e é operado pela Serra Verde Express em parceria com uma empresa similar da Bélgica;seu roteiro é no Paraná entre as cidades de Curitiba e Morretes,além de ir a Ponta Grossa e Cascavel,levando no máximo ,44 pessoas.
Os felizardos que embarcarem entrarão num vagão decorado  em estilo colonial ,com madeiras nobres,mobiliário oriundos de antiquários e gravuras de Debret e Rugendas.O teto,pintado à mão,tem imagens da flora e fauna brasileiras e as poltronas de couro com forro de penas de ganso.
As cortinas são de seda e,no bar,uma tela de plasma mostra ,ao vivo,todas as paisagens  que vão ficando para trás durante o passeio.Comissários educados e poliglotas servem vinho,uísque 12 anos e champanhe.O trecho até Morretes custa $470.00 por pessoa.
Você vai,sim,com certeza se sentir um nobre do Império.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

UM OLHAR SOBRE BRASÍLIA...



Duas vezes estive em Brasília
não por desinteresse,que é isso?
Afinal
do meu pais é a Capital.
Mas,não tenho negócios políticos,nem empresariais
que levam pessoas a visitá-la mais.
Admirei a Praça dos três Poderes no meu primeiro e deslumbrado olhar;
Ao voltar,ainda era a mesma praça
e os mesmos poderes estavam lá.
Tinha a mesma dignidade e o mesmo recado para os visitantes:
-Esta cidade,no Planalto Central do Pais
veio  para descentralizar,para unir,não para separar.
Brasília é feia?É bonita?
Ou gosta ou não se gosta.
Mas,eu gostei.
Aquela amplidão,aquele céu que podemos descortinar,sem feios arranha- céus, o crepúsculo  visto do lago Paranoá.
A magnificência da Catedral
não por ter afrescos,nem colunatas renascentistas,
mas,por uma beleza serena,sem ostentação
e, aquela luz,aquela paz...
Rezar ali deve levar a gente para mais perto do Céu.
(Deus não deve gostar muito de ouropéis.
Brasília quer me contar de homens pioneiros
que  aqui vieram construir um sonho)
antigos  homens criando uma cidade nova que impõe respeito
por representar o povo que a construiu
no meio do cerrado.
O Plano Piloto me encantou:
apenas uma cruz,”seu” Lúcio Costa
ou seria um avião? Asa Norte,Asa Sul
o Eixo Monumental
genialidade  composta de beleza
e muito azul.
Niemeyer,Lúcio Costa,Juscelino
planejadores oficiais decidiram fazer desta cidade tão linda,tão recortada,tão planejada
não um monumento á saudade,ao que já foi
mas,um olhar para o futuro
para o que será.
O Itamarati, com um belo lago
A estátua da Justiça sempre vendada , sempre arisca
aqui  também...
Cega,surda e muda como convém...
Brasília ficou sendo para mim
uma poesia natural
cidade onde se pode respirar
onde se pode beber da beleza do lugar
e se encantar!
Sem necessidade de se  usar muitas palavras
a não ser  - Magnífica –
e,fazer para ela um gesto de amor!


terça-feira, 2 de novembro de 2010

A PAZ DOS CEMITÉRIOS



Gosto de passear em cemitérios,principalmente na Europa.Aqueles vetustos e antiqüíssimos monumentos nos túmulos,os ciprestes,o silencio dos séculos,a paz.a imponência do Pére Lachaise!o cemitério dos Prazeres,em Lisboa ,os de Madri,lá está tanta gente que eu gostaria de ter conhecido...não,não sou mórbida,mas,não tenho medo da morte,pois sei que ela virá goste eu ou não e,os mortos não incomodam ninguém; dos vivos,sim;tenho muito medo,e,de certa maneira,da vida,também.Mas,o que me intriga nos cemitérios,daqui ou d’alhures é que lá só repousa gente do bem,gente honesta,senhoras virtuosas,extremosos pais de família,inesquecíveis parentes,amigos fidelíssimos,homens públicos abnegados,reservas morais da nação;lá,todos os juízes foram ajuizados,são impolutos,advogados honestos,policiais incorruptíveis,médicos dedicados.e eu,comovida com tanta consciência limpa,tantas almas justas,justíssimas,me pergunto:onde será que se enterram “as outras?”;onde será o último repouso das adulteras,os cornos,os aproveitadores do povo,os violentos,os covardes,os traiçoeiros, os caluniadores,os ladrões,os assassinos,os pedófilos,os falsos religiosos,onde???Será que descem direitinho para as profundas,sem escala,nem estagio? Será que não se enterram em solo santo,são abduzidos pelos anjos maus e ficam escondidos – digamos – dentro dos vulcões? Taí,um bom objeto de estudo para os pesquisadores!Ué,não posso deixar de me perguntar.!?Certo estava meu pai,com sua filosofia de velho sertanejo,passado,como ele mesmo dizia,pela porra de pôncio pilatos;minha mãe,perguntava:

-Odalberto,você vai ao enterro de fulano?e ele respondia,um ar brejeiro na face:-eu,não;ele não vai no meu...


FALA O LEITOR:




Obrigada amiga, quanta beleza em suas palavras simples, mas claras e verdadeiras. Onde iremos nós poetas, escritores, faladores? em qual destes caminhos estaremos postados, está tuas só uns poucos tiveram, teremos, túmulos quem sabe as sarjetas da vida. Obrigada e que deus te abençoe sempre. Ab.
Ana Zélia,escritora

31/05/2008 07:44 - Roberto Kamaura,escritor


Miriam, há cemitérios onde dá pra fazer até turismo.Alguém andou publicando um livro com fotografias de verdadeiras obras de arte encontradas nos cemitérios.Há alguns, entretanto, em situação de abandono. Certa vez uma criança comentou comigo: - Tio!...(coisa horrível, ser chamado por tudo quanto é criança e adolescente de ¨tio¨) como é que os mortos conseguem VIVER num lugar desse? Respondí: -Acho que eles se acostumam. Gosto do teu humor. Ontem encontrei um conhecido aqui da vizinhança que adora, adora não, tem compulsão por enterros e velórios.Eu já havia lido teu texto e comentei com ele o que teu pai dizia... apesar do tom de brincadeira,acho que ele se deu conta de que teu pai tem razão.

22/07/2008 10:27 - Cláudio de Oliveira


Taí, nunca havia visto o cemitério por esse ângulo. Eu também gosto de andar por eles; pela paz e para recordar os nomes e admirar a grafia como eram escritos. Alphonso, Eulália, Cremilda (poderia ter sido cremada), Idelphonso, Joshefa, Athaide, Mannoel Calado... /// Bravo!!!






segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CARTA PARA MINHA AVÓ ,JOSEFA




Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
   Saramago,menino

Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.

Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.

É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

José Saramago, in “Deste Mundo e do Outro

Publicada por Eira-Velha em 09:24




quinta-feira, 13 de maio de 2010

Diário de Bordo: Cap XIX



Fomos conhecer Gênova; a capital da Liguria é lindíssima; debruçada sobre o mar Tirreno com suas construções milenares, seus palácios como Pallazzo Rosso, o PalacioDucal,da época dos doges,a Via Garibaldi,também chamada “rua dourada”,devido á quantidade de palácios que abriga,a Porta Soprana,um portão medieval,num bairro onde,dizem,Colombo passou a infância.As ruas com cheiro e jeito medievais, contrastando com largas avenidas, povo bonito, que nos olhava com curiosidade; fomos até á casa de Colombo, sua estatua, o arco da Vitoria sobre as tropas alemãs, o parque, a praça mais importante com o prédio da Prefeitura e o colossal palácio do Governo.Gostaria de conhecer o monumental Aquario,principal atração turística,mas,cadê tempo?
Gênova é uma cidade caríssima,as lojas são proibitivas para bolsos brasileiros.
XGênova, cujo nome é Zena, em ligúrico, vive acariciada pelo mar e rodeada por costas rochosas, tem uma beleza antiga, sóbria como uma matrona romana de tempos idos. Byron,Balzac e Rimbaud não viveram aqui por acaso;deixaram-se ficar atraídos por tanta beleza e arte,a mais pura das Artes.
Além de ser o maior porto da Itália (briga com Marselha pelo título de maior porto do Mediterrâneo) é também um grande centro econômico e industrial; sua fundação remonta aos gregos e talvez seja anterior a eles. O símbolo da cidade é a Lanterna,uma construção que parece um obelisco.Os genoveses sempre foram experimentados marinheiros na antiguidade.Os palácios chamam a atenção:o Bianco e o Rosso por suas pinacotecas,o Palacio Ducal pelo seu luxo e a Piazza di Ferrari,com suas fontes e seus prédios.Sua culinária é maravilhosa;Há o pesto a La genovesa,molhos á base de manjericão queijo pecorino,de sabor bem forte,além de um azeite puríssimo e delicioso.
Dizem que os genoveses são meio “pães-duros”, mas, o Aldo é diferente, não se importa de gastar; fomos com ele a um restaurante de frutos do mar, várias vezes premiado e citado em varias revistas gastronômicas, o “Cesare”; estávamos eu, René, Francis, ele, o alemão, o primeiro oficial, os dois engenheiros e um tripulante. O jantar foi regado a um bom vinho,frutos do mar deliciosos,pizza,spaghetti,além de calor e simpatia;até o alemão estava simpático esta noite.As atenções do Aldo aumentaram muito com o vinho e;ele insinuou que gostaria de me mostrar Gênova “ La notte” mas,aí entrou em cena o poder militar;o Cap. Veio salvaguardar a honra de Raul e proteger as costas portuguesas(e a frente também) do ataque italiano.Eles resolveram também apreciar
“La notte”e a misteriosa lua genovesa;subimos ao castelo por um lindo caminho íngreme e tortuoso,muito arborizado e fomos dar no topo de uma montanha para ver a cidade aos nossos pés.”Tu pisavas nos astros distraída...Ficamos cerca de meia hora e fotografamos tudo.

sábado, 17 de abril de 2010

DIÁRIO DE BORDO CAP:XIV

COSTA ITALIANA



O mundo já é uma aldeia global; procuro, procuro, aqui, na velha Europa, uma novidade para levar de presente para a família e não encontro nada no preço que posso pagar; surpresa :vi em Tenerife objetos em pedra brasileira que trouxe para vender aqui, iguais e muito mais baratos; os souvenirs são os mesmos só muda o nome da cidade; os produtos ,
os mesmos que encontro na Perini e com preços semelhantes; peças lindas de Lladró, que são bem caras, as mesmas que H. Stern vende. As camisetas típicas são caras e a malha faria a Hering corar de vergonha, as bijuterias vêm todas de Taiwan, iguais ás nossas. Meu pobre bolso terceiro mundista voltou envergonhado;vamos ver se na Itália as coisas mudam.
DOMINGO, 24

Permição para descer em solo Italiano

Fui acordada por um claro sol italiano; seus raios brincavam com a cortina da cabine e passeavam despreocupadamente pelas roupas que usei na noite anterior. Estranhei não ver terra.Subi para o deck com intenções de beber café e informações;Soube que chegaríamos ás 14hs.,mas,ficaríamos ao largo até 3º feira, á tarde porque hoje, sendo domingo não se trabalha e amanhã é feriado; como conheço um país bem parecido, não me afobei.A Costa italiana,com seus balneários famosos,onde candidatas ao estrelato vindas de todo o mundo, costumam tomar banho de mar sem a parte superior do biquíni com o objetivo de mostrar seus “talentos” aos produtores, atiçam a imaginação dos tripulantes :San Remo,Imperia,uma bela cidade,cheia de edifícios antigos lado a lado com construções modernas e arrojadas;uma igrejinha repousando na falda de uma montanha; casas esparsas pelos montes azuis, formando uma paisagem harmônica com o céu e o mar, tudo iluminado pela claridade leve e diáfana que se encontra nas obras de alguns pintores italianos.
Monte Carlo, hotel

Passamos por Monte Carlo e a silhueta inconfundível do Hotel Negresco aparece recortada contra o sol. Iates de luxo deslizam por suas águas tranqüilas e a grande quantidade de toldos perto da praia apontam para hotéis e restaurantes luxuosos. Aí ,sem dúvida rola muito dinheiro; avisto,de longe,com olhos compridos a Gran Corniche.Recordo velhos contos de Somerset Maugham que encheram de sonho minha adolescência.Na véspera, assisti ao mais belo pôr-do-sol desde que estou no navio; uma explosão de cor,uma fita de luz se espalhando pelo infinito,o azul-grey do céu como pano de fundo para tudo aquilo e o sol mergulhando no mar,devagarzinho,sem pressa,como se até ele tivesse preguiça de descer aos abismos de Hades,deixando tanta beleza; num átimo percebi porque a Itália é a pátria das artes;impossível não ser artista com um cenário assim.Pássaros alegres e ligeiros cruzam o céu,peixinhos prateados cercam o navio;tudo é beleza e perfeição.A cidade tem o tom do mármore de Carrara,uma harmonia perfeita entre os tons terrosos da cidade e a explosão de cor á sua volta.Ao longe passa um cargueiro escuro bem á nossa frente. ;acordo do sonho ao ouvir o oficial de bordo gritar:
Zero-two-five,controlando a rota.
Zero-two-five,Sir;responde o tripulante.
Gostou?Sábado tem mais.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010


O ILÊ AIYÊ
...eu quero saber
É o mundo negro
Que vamos cantar
Para você.
*
Assim começa a passagem do Ilê pelas ruas de Salvador.E provoca:


Branco se você soubesse
O valor que o negro tem,
Tomava banho de piche
Prá ficar negro também.
*
A provocação é pertinente;quando foi criado, a 1 de novembro de 1974 em plena ditadura militar,esta primeira banda negra na Bahia,sofreu perseguições ,discriminações e muita censura,inclusive de conhecidos órgãos da imprensa local.Por defender e expor a cultura negra,foram tachados até de comunistas e desordeiros,ranços racistas,que persistem até hoje,na Bahia,-a maior cidade negra do Brasil-embora mais camuflados e menos difundidos.
O Ilê Aiyê,que significa “casa dos negros”,nasceu numa casa,mesmo,no maior bairro negro de Salvador,a Liberdade,com 600.000 habitantes,fundado por Antonio Carlos dos Santos,o Vovô,do Ilê e por Apolonio de Jesús,com o intuito de divulgar,e,sobretudo,preservar as tradições culturais africanas e o culto aos orixás,pois Mãe Hilda Jitolu é mãe de Vovô,e,foi na sua casa que nasceu o Ilê,que encanta Salvador com seus batuques e tambores,além do colorido e beleza das fantasias.
Hoje,36 anos depois de fundado,o Ilê tem sua sede própria e até criou uma escola para crianças carentes,onde preserva seus valores de paz e respeito aos diferentes.
Alegria,pompa,beleza.sedução,ritmo,o Ilê é tudo isto que torna o nosso carnaval tão peculiar e belo,atraindo para Salvador milhares de turistas.
Neste Carnaval,o Ilê vai cantar a cultura pernambucana,pois,Pernambuco é considerado também uma nação africana,pela resistência,manutenção e divulgação da cultura negra,através do maracatu e do frevo.
Serão justamente homenageados personagens populares como Ana das Carrancas,Lia de Itamaracá,Luis Gonzaga,Mestre Salustiano,Mestre Vitalino,Naná Vasconcelos e,claro,o guerreiro Zumbi dos Palmares.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O SENHOR DOS MISTÉRIOS




Oscilando entre dois mundos, símbolo do bem e adotado como um deus ou tratado como “o avesso”, ás vezes confundido com o demônio e as forças do mal, o certo é que esse misterioso felino, por seus olhos estranhos e seu aspecto misterioso é adorado por muita gente, nas mais diversas culturas.
No antigo Egito, um filósofo grego, Diodorus Siculus, assistiu um soldado romano ser linchado porque matou um gato.
Nem a interferência de altos oficiais impediu a execução. isso,porque,no Egito,o gato tinha poderes divinos;era a deusa Baath, divindade com rosto de gato e corpo de mulher.
Se um gato morria, mesmo que fosse de causas naturais, seu dono tinha de cobrir-se de luto, raspando até as sobrancelhas. O defunto tinha que ser enterrado ás margens do Nilo, onde havia um cemitério para gatos.
Numa das guerras entre egípcios e persas, Cambises, filho de Ciro, o grande, venceu a batalha, colocando gatos em frente á infantaria; os egípcios não ousavam atirar suas flechas para não matar os gatos, e, o persa saiu vitorioso.
Mas, a pretensa divindade do gato, não era coisa só de egípcios; na Grécia, a deusa Diana tomava a forma de um gato e, na cultura escandinava, a deusa Freyla, da fertilidade, tinha sua carruagem puxada por uma parelha de gatos.
Utilidade prática, o gato não tinha nenhuma, além de matar ratos, claro; seu poder se devia á beleza de seus olhos e á sua semelhança com a lua. Assim como a lua, o gato surge á noite, escapando da humanidade e perambulando pelos telhados, seus olhos brilhando na escuridão. No oriente, acredita-se que o gato transporta a alma dos mortos; os africanos crêem que o morto reencarna no gato.
Tão lindo e tão misterioso, na cultura ocidental, o gato passou apuros. a igreja,sempre ela,passou a considerá-lo,diabólico.pura perda de prestigio.
Muitos gatos foram apedrejados e muitas mulheres queimadas na fogueira acusadas de bruxaria; dizia-se que elas podiam tomar a forma de um gato durante nove vezes, a fim de prejudicar outras pessoas. Muitas vezes os próprios gatos foram queimados pela inquisição, como satã, por exemplo, um belo gato todo branco, que foi acusado de sugar o sangue de sua dona.
No nosso mundo moderno, conheço assustadoras estórias de “gatos” que sugaram as contas bancarias de suas “donas”, mas, nenhum foi queimado vivo.
O gato preto, por motivos óbvios, era o mais perseguido de todos. Sua má fama persiste até hoje, muita gente não gosta de vê-lo no seu caminho. é má sorte,na certa.
Mas, os gatos servem para prever o tempo, vocês sabiam?Melhor que nossos meteorologistas da TV.
Quando eles pulam e correm nervosamente, espere ventos fortes; coçar a orelha é sinal de chuva. se sentarem de costas para a lareira,é tempestade,com certeza.
Tá seco, na sua terra?Agarre um gato e, com um conta-gotas, vá jogando água no dorso dele; atrai chuva.
Dizem que os gatos também têm o poder da cura. Esfregue o rabo do gato nos terçóis, verrugas, sarna, panarício e eles somem.
E, nos casamentos?Se um gato espirrar uma vez, próximo da noiva, o casamento será feliz. Dois espirros é sinal de chuva no dia do casório e três é sinal de um mau casamento. hora de deletar o noivo.
E, antes que vocês me deletem cansados da leitura, vou parando por aqui.
Fonte: O culto ao gato, de Patrícia Dale-Green.