Seguidores

Mostrando postagens com marcador navio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador navio. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de abril de 2010

DIÁRIO DE BORDO CAP:XIV

COSTA ITALIANA



O mundo já é uma aldeia global; procuro, procuro, aqui, na velha Europa, uma novidade para levar de presente para a família e não encontro nada no preço que posso pagar; surpresa :vi em Tenerife objetos em pedra brasileira que trouxe para vender aqui, iguais e muito mais baratos; os souvenirs são os mesmos só muda o nome da cidade; os produtos ,
os mesmos que encontro na Perini e com preços semelhantes; peças lindas de Lladró, que são bem caras, as mesmas que H. Stern vende. As camisetas típicas são caras e a malha faria a Hering corar de vergonha, as bijuterias vêm todas de Taiwan, iguais ás nossas. Meu pobre bolso terceiro mundista voltou envergonhado;vamos ver se na Itália as coisas mudam.
DOMINGO, 24

Permição para descer em solo Italiano

Fui acordada por um claro sol italiano; seus raios brincavam com a cortina da cabine e passeavam despreocupadamente pelas roupas que usei na noite anterior. Estranhei não ver terra.Subi para o deck com intenções de beber café e informações;Soube que chegaríamos ás 14hs.,mas,ficaríamos ao largo até 3º feira, á tarde porque hoje, sendo domingo não se trabalha e amanhã é feriado; como conheço um país bem parecido, não me afobei.A Costa italiana,com seus balneários famosos,onde candidatas ao estrelato vindas de todo o mundo, costumam tomar banho de mar sem a parte superior do biquíni com o objetivo de mostrar seus “talentos” aos produtores, atiçam a imaginação dos tripulantes :San Remo,Imperia,uma bela cidade,cheia de edifícios antigos lado a lado com construções modernas e arrojadas;uma igrejinha repousando na falda de uma montanha; casas esparsas pelos montes azuis, formando uma paisagem harmônica com o céu e o mar, tudo iluminado pela claridade leve e diáfana que se encontra nas obras de alguns pintores italianos.
Monte Carlo, hotel

Passamos por Monte Carlo e a silhueta inconfundível do Hotel Negresco aparece recortada contra o sol. Iates de luxo deslizam por suas águas tranqüilas e a grande quantidade de toldos perto da praia apontam para hotéis e restaurantes luxuosos. Aí ,sem dúvida rola muito dinheiro; avisto,de longe,com olhos compridos a Gran Corniche.Recordo velhos contos de Somerset Maugham que encheram de sonho minha adolescência.Na véspera, assisti ao mais belo pôr-do-sol desde que estou no navio; uma explosão de cor,uma fita de luz se espalhando pelo infinito,o azul-grey do céu como pano de fundo para tudo aquilo e o sol mergulhando no mar,devagarzinho,sem pressa,como se até ele tivesse preguiça de descer aos abismos de Hades,deixando tanta beleza; num átimo percebi porque a Itália é a pátria das artes;impossível não ser artista com um cenário assim.Pássaros alegres e ligeiros cruzam o céu,peixinhos prateados cercam o navio;tudo é beleza e perfeição.A cidade tem o tom do mármore de Carrara,uma harmonia perfeita entre os tons terrosos da cidade e a explosão de cor á sua volta.Ao longe passa um cargueiro escuro bem á nossa frente. ;acordo do sonho ao ouvir o oficial de bordo gritar:
Zero-two-five,controlando a rota.
Zero-two-five,Sir;responde o tripulante.
Gostou?Sábado tem mais.

sábado, 23 de janeiro de 2010

DIÁRIO DE BORDO:CAP.XI

Depois da missa...
O "sermão"

Á espera da missa...


Domingo


O navio balançava bastante; estranhei, pois o dia estava claro, com sol forte. Ao descer para o passeio de todo dia reparei que ondas imensas nos cercavam;devia haver borrasca lá para as bandas dos States;Se o navio não estivesse tão pesado estaríamos voando.

Na volta do passeio encontramos toda a tripulação reunida na sala de refeições; havia uma missa filipina tocando no rádio e eles assistiam contritos; estes filipinos são muito católicos, odeiam comunistas e endeusam, ou melhor, idolatram mesmo - imaginem quem!?O Gal. Macarthy, ele mesmo, aquele dinossauro americano responsável pela caça às bruxas nos EEUU, que tanto mal causou á cultura e ás artes deste pais; Chaplin e outros deportados, impedidos de trabalhar, um período negro na sociedade americana.

Os filipinos sofreram muito com a invasão japonesa no seu país, foram trucidados; daí veio o Macartthy e libertou as Filipinas, virou herói nacional, com direito a um lugar no altar ao lado de Cristo; ta explicado. Voltemos á missa.O mais velho dentre eles segurava o microfone e conduzia a missa numa mesa improvisada em altar;havia uma tosca imagem de Cristo, um vidro de bebida,pensei que era mel,uma bandeja com duas garrafinhas plásticas cheias de uma erva mágica;três velas grandes acesas;a Bíblia coberta com uma toalhinha amarela,de crochê;O salmo 81 escrito em tagalo impresso numa pequena toalha branca com letras azuis.O canto sacro era bem bonito.Comovi-me ao ver aqueles homens rudes,tão contritos pedindo proteção para si e para os seus;Um deles recita”Se o céu e a terra estiverem em harmonia é uma benção de Deus;se o céu e a terra não estiverem em harmonia também é a presença de Deus.”Apos a missa, o mais velho colocou a bebida em taças -a maior para o comandante-e serviu a todos:genebra,água e açúcar;Bebi de um trago,mas,antes, todos nos saudamos uns aos outros,batendo levemente as taças;tin-tin.Rezam assim todo domingo,dia de folga da tripulação.O almoço também é mais caprichado;os homens passam o tempo assistindo TV,filmes e conversando;o Cap. vem até a sala deles e se enturma;aproveitei o dia favorável e mostrei minhas peças;poucos compraram,parece que são econômicos;assim mesmo aumentei minhas rendas em U.S.500.

Amanhã á tarde ,se Deus quiser,chegaremos á Tenerife, Ilhas Canárias; ficaremos no porto das 16 ás 20 hs. Vai dar para um rápido “sight- seeing” pela cidade.
Recebi a visita do capitão e da esposa para um chá e uma conversa gostosa no meu camarote; falamos um pouco de tudo. O sobrinho de René veio comprar um presentinho;U.S.20;minha fortuna vai aumentando.Hoje não fui nem uma vez á ponte;foi um dia ocupado.

Acabei indo passear com Francis, tirar fotos na proa; vagalhões imensos como montanhas pareciam querer lamber o navio; um espetáculo belo e assustador. A profundidade era de mais de 50 mil metros;a sorte é que, com o navio pesado balançávamos pouco;Uma espuma branca densa acompanhava o navio,substituindo a renda valenciana de ontem;estávamos na popa e aproveitamos para tirar fotografias;cansei;apesar de não fazer nada, a vida de bordo é cansativa,mesmo num espaço restrito de 150mt. quadrados; é muita escada para subir e descer equivalem há pelo menos quatro horas diárias de academia; as pernas doem, mas, o exercício é bom para elas.
Ainda sobre a missa da manhã: ao lado da imagem havia uma vasilha funda cheia de batata doce cozida que foi distribuída a todos; na época não entendi porque misturaram Macarthy com Jesus Cristo; hoje entendo, depois de conhecer melhor a historia deste povo; ambos foram Salvadores.

Aonde vou ,Cook, o cachorrinho de bordo me segue; ele é lindo, todo pretinho e como todo cachorro bastante amistoso; na hora mais solene da missa ele resolveu morder meu calcanhar, de leve, fazendo cócegas; só vive fazendo arte e xixi, faz por toda parte.

Imagino a cara de Edite se me visse agora no meio do mar com ondas deste tamanho.

Hoje, após dias de navegação, avistamos um navio ao longe; tão, tão distante que não dava para perceber se era um navio ou um rochedo.

Noite solitária na cabina; saudades de casa; e o meu gato, Bombom, como estará?
Está acompanhando a aventura?
Sábado tem mais...

sábado, 21 de novembro de 2009

DIARIO DE BORDO, CAPITULO II




Para passar o tempo inventei fazer um vatapá á baiana para variar o cardápio de bordo, No Mercado Modelo compramos os ingredientes e fui para a cozinha que parece cozinha de convento. Ampla , arejada e bem abastecida;não há o que não haja. E ainda, com vista para o mar,é claro.. . Viajando mundo afora, parando em muitos portos, acha-se de tudo para comprar:
: especiarias da Índia e da China, deliciosos molhos italianos, peixes esquisitos e saborosos, uma profusão de legumes e verduras. Toma-se muito chá nos navios com tripulação oriental. E come-se muito peixe,
Saímos um pouco depois das 15hs, ainda chovia, encobrindo a beleza da Bahia de Todos os Santos. Chamei por todos eles, ia precisar. Francis e eu assistimos as manobras de desatracação do deck. Observávamos os movimentos precisos do prático ;achei interessante o modo que ele deixou o navio; Pela proa; passando perigosamente para a sua lanchinha em pleno mar agitado; para mim um dos 12 trabalhos de Hércules. Pelo possante binóculo de bordo pude ver o rosto querido de Raul; percebi uma sombra de saudade. Eu olhava a imensidão do mar,; com o coração apertado, lembrei-me de casa. Passávamos por Guarajuba; Ao longe, vejo os coqueiros na costa. Céu encoberto. O navio, muito pesado, balança pouco.


***********************************************************************************************

Estou instalada na melhor cabina do navio, depois da do Capitão. È o camarote do armador. São três cômodos: sala,e quarto acarpetados, banheiro simples, mas, confortável. Um sólido mobiliário, porém sem luxos. Tenho uma geladeira, armários, uma escrivaninha com telefone e lâmpada de leitura, um sofá de três lugares, mesa para refeição e uma visão panorâmica para o infinito. Dentro da cabina a temperatura é constante, 22 graus, O quarto de dormir é confortável, com dois beliches de navegação, uma pequena cômoda e armários para guardar roupas, Tudo com vista para o mar,... E tome mar, para todo lado que se olhe.


******************************************************************************************

No banheiro encontrei toalhas, sabonete, copos, escova, e pasta, tudo prontinho para mim, Uma vasta pia antiga, um vaso anatômico, e um chuveiro bem forte, como eu gosto, com água fria e quente,
O navio tem piscina, alimentada com água do mar constantemente renovada, Sala de ginástica, sala de TV.com um aparelho de 29 polegadas, diversas salas de refeições, os camarotes dos oficiais e o alojamento da tripulação.
O jantar é servido por volta das 17hs, sempre começando com sopa de peixe, de aparência insossa, pelo menos para mim, que não gosto de peixe e odeio comida branca; mas o comandante é adepto da comida naturalista, embora o resto do cardápio seja agradável e variado. Mas, invariavelmente, começa com sopa de peixe e termina com chá; é notória a influencia oriental no cardápio.
A cabina de comando é espaçosa e ultramoderna, Dali controla-se todo o navio, Pelo radar, sabe-se tudo o que se passa á nossa volta, sobre as águas, no fundo do mar, a chegada de tufões ou furacões, as chuvas, os navios próximos, as estrelas verdadeiras que nos espiam desde o começo dos tempos, até os satélites artificiais criados pelo homem, Não é confortável imaginar que estes Big Brothers, russos ou americanos, estão nos espiando a todo o momento. Um navio deste porte é hoje todo controlado por computadores e necessita apenas de uma tripulação de 20 homens para controlá-lo, O comandante é o todo poderoso dentro do seu navio; tem sempre a última palavra, Antigamente até podia realizar casamentos, mas esta faceta de perigo das viagens marítimas já foi eliminada. Também é atribuição do comandante aceitar ou recusar passageiros. Determinar a escala de trabalho e a folga da tripulação e oficiais e pagar-lhes o salário. Mas, sua responsabilidade é imensa sobre tudo a que acontece á bordo, Tem que ser um cara sereno e capaz de tomar decisões rápidas, A carga do navio e todas aquelas vidas dependem da sua competência. René Ortega, capitão do Zim, era um homem tranqüilo, sóbrio, muito competente e respeitado, Filipino da Ilha de Mindanao, tinha um tipo ascético e não aparentava a idade que tinha,aliás,um segredo de Estado; imagino que já fosse sessentão.
O Primeiro Oficial (o First), è responsável pelo convés, carga e descarga ;também substitui o capitão quando é preciso.
IMG:No meu camarote;
O Cap. René Ortega e sua esposa ,Francis e eu.

sábado, 14 de novembro de 2009

DIÁRIO DE BORDO:APRESENTAÇÃO


VIAJAR É PRECISO,VIVER NÃO É PRECISO...

(fernando Pessoa)


Peço licença a meus leitores para,a partir deste sábado,publicar aqui,no FIAT LUX,o site das novidades,a historia de uma viagem.

Tenho certeza que,poucos fizeram uma igual,por isso,quero compartilhá-la,com vocês,meus amigos leitores.

Conservei o texto original pois foi escrita à bordo de um navio cargueiro,na década de /90.

Ainda não existia o Euro e a União Européia era apenas um sonho!

Viagem comigo à bordo deste navio,o ZIM URUGUAY,hoje,aposentado e descubra as peripécias e as aventuras de atravessar os mares através de vários países europeus e sul americanos.

Prontos para a partida?

Se gostar do que viu e leu,divulgue...