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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

PRAGA



...e o povocontinua miserável!


Dedicado aos políticos brasileiros:

Saia da história
prá entrar na vida.
Entre na lida
sem prever retorno.
Daqui apouco
abandone a vida
e vá arder
no mais gelado forno.
Assim calcine
tudo que é ferida.
Esqueça enfim
a dívida e o dolo.
Saia do campo
no fim da partida.
(Perdida a hora
de virar o jogo.)
Daqui se vê
a sórdida avenida
e palácios estúpidos em torno.
A força do poder
jaz reunido,
pensando um jeito
de estrepar o povo.
Deixa o plenário
vá plantar batatas
prá ajudar
quem pena desvalido.
Cansamos de pagar
quem nos explora,
quem parlamenta
em nome de bandido.
O que merece
quem desta forma
trai o mandato
e o pais afunda?
É muito pouco
um ôvo na cabeça,
um chute na canela
e um pé na bunda.
Reynaldo Jardim,um brasileiro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O LAÇO DE FITA


O laço de fita

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...

Prendi meus afetos, formosa Pepita.

Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!

Não rias, prendi-me

Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,

Nos negros cabelos da moça bonita,

Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,

Formoso enroscava-se

O laço de fita.


Meu ser, que voava nas luzes da festa,

Qual pássaro bravo, que os ares agita,

Eu vi de repente cativo, submisso

Rolar prisioneiro

Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia

Debalde minh'alma se embate, se irrita...

O braço, que rompe cadeias de ferro,

Não quebra teus elos,

Ó laço de fita!

Meu Deusl As falenas têm asas de opala,

Os astros se libram na plaga infinita.

Os anjos repousam nas penas brilhantes...

Mas tu... tens por asas

Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,

Na valsa que anseia, que estua e palpita.

Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...

Beijava-te apenas...

Teu laço de fita.


Mas ai! findo o baile, despindo os adornos

N'alcova onde a vela ciosa... crepita,

Talvez da cadeia libertes as tranças

Mas eu... fico preso

No laço de fita.


Pois bem! Quando um dia na sombra do vale

Abrirem-me a cova... formosa Pepital

Ao menos arranca meus louros da fronte,

E dá-me por c'roa...

Teu laço de fita.



O poeta baiano Castro Alves não era só um revolucionário,mas,também,um poeta apaixonado e romântico.Amou e foi amado por belas mulheres como a atriz Eugênia Câmara.Esta poesia mostra o seu lado romanticamente infantil.






















sexta-feira, 2 de abril de 2010

POEMA DE BOCAGE


Já Bocage não sou!...Á cova escura

meu estro vai parar desfeito em vento...

Eu aos Céus ultrajei!O meu tormento

leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura

em prosa e verso fez meu louco intento.

Musa...Tivera algùm merecimento.

se um raio da razão seguisse pura!


Eu me arrependo;a língua quase fria

brade em alto pregão á mocidade,

que atrás do som fantástico corria:



Outro Aretino fui...A santidade

Manchei!...Oh!Se me creste,gente ímpia

rasga meus versos,crê na eternidade.



José Maria Barbosa Du Bocage,poeta português, satírico e também o maior poeta lírico do sec.XVIII.Improvisador e agressivo,criticava ,sobretudo a Igreja Católica.

Como sonetista é considerado tão bom quanto Camões e Antero de Quental.
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