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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A PRIMAVERA




Primavera gentil dos meus amores,

- Arca cerúlea de ilusões etéreas,

Chova-te o Céu cintilações sidéreas

E a terra chova no teu seio flores!



Esplende, Primavera, os teus fulgores,

Na auréola azul, dos dias teus risonhos,

Tu que sorveste o fel das minhas dores

E me trouxeste o néctar dos teus sonhos!



Cedo virá, porém, o triste outono,

Os dias voltarão a ser tristonhos

E tu hás de dormir o eterno sono,



Num sepulcro de rosas e de flores,

Arca sagrada de cerúleos sonhos,

Primavera gentil dos meus amores!



Augusto dos Anjos - poeta brasileiro

sexta-feira, 2 de abril de 2010

POEMA DE BOCAGE


Já Bocage não sou!...Á cova escura

meu estro vai parar desfeito em vento...

Eu aos Céus ultrajei!O meu tormento

leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura

em prosa e verso fez meu louco intento.

Musa...Tivera algùm merecimento.

se um raio da razão seguisse pura!


Eu me arrependo;a língua quase fria

brade em alto pregão á mocidade,

que atrás do som fantástico corria:



Outro Aretino fui...A santidade

Manchei!...Oh!Se me creste,gente ímpia

rasga meus versos,crê na eternidade.



José Maria Barbosa Du Bocage,poeta português, satírico e também o maior poeta lírico do sec.XVIII.Improvisador e agressivo,criticava ,sobretudo a Igreja Católica.

Como sonetista é considerado tão bom quanto Camões e Antero de Quental.
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