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segunda-feira, 21 de junho de 2010

VÁ PRÁ PONTE QUE CAIU...


A PONTE QUE CAIU
VIRAM COMO ESSE PAÍS
VIROU UMA BANDALHEIRA,
OS POLITICOS CORRUPTOS
PISAM NA NOSSA BANDEIRA
SÃO PAULO,QUE COISA TRISTE!
RESPIRA LIXO E SUJEIRA
NADA MAIS AQUI ESCAPA
DE TANTA MARACUTAIA,
JUDICIARIO,SENADO,
TUDO TÁ CONTAMINADO,
PARECE ATÉ BRINCADEIRA.
ME PERGUNTO O QUE FIZERAM
DO MEU RIO DE JANEIRO
NÃO É SÓ BALA PERDIDA,
TÁ PERDIDO POR INTEIRO.
DOMINADO POR MILICIAS,
TRAFICANTES,DESORDEIROS.
...E O NORDESTE,COITADO!?
SEM DEIXAR DE SER CURRAL
TODO ANO,TODA VEZ
É REDUTO ELEITORAL
DOS MESMOS SAFARDANAS,
QUE MANDAM SEM QUE LHES CASSEM
A JUSTIÇA ELEITORAL.
MAS,O FEITIÇO ESTÁ VIRANDO
CONTRA O PROPRIO FEITICEIRO
O POVO NÃO ESTÁ MAIS BESTA
TIRA O COURO DOS POLITICOS
,CADA DIA,MAIS SOMITICO,
SOBRE O VOTO QUE VAI DAR.
CADÊ O ELEITOR?SUMIU!
E NO DIA DA ELEIÇÃO,
VAI MANDAR SEM RESTRIÇÃO,
TUDO QUE É CANDIDATO
DO MAIS CARO AO MAIS BARATO
PARA A PONTE QUE CAIU...
Charge:Ilvan

sábado, 9 de janeiro de 2010

DIÁRIO DE BORDO CAP:IX




5º dia á bordo

Venho do breakfast; dia nublado, mar calmo. Capricho na toilette.lavo o cabelo tudo para me preparar para descer em terra.Deve levar ainda uns dois dias,aqui a gente perde um pouco a noção do tempo e o relógio vira um acessório inútil,pelo menos para mim que não tenho obrigações.Tudo parece simples:quando desponta a aurora,com seus dedinhos cor de rosa,abrindo a cortina do dia,sei que é hora de acordar; sol a pino,hora do almoço;crepúsculo,hora do jantar,simples assim.Penso que se estivesse em Salvador há muito já estaria correndo pela rua,numa azáfama,pegando os ônibus da Sul America,debaixo de um sol escaldante,caçando alguém para vender,cobrar ou pagar:a eterna corrida de ratos,trabalhar o dia inteiro,abrir mostruário,fechar mostruário,negociar,exigir,pechinchar,ouvir com simpatia os problemas da clientela,quase sempre os mesmos:falta de dinheiro(cada vez sobra mais mês no fim do meu dinheiro),falta de atenção,frustrações,sonhos desfeitos,uma vida vivida igualzinha todos os dias;me parece que as pessoas não vivem-digamos-50 anos;vivem 50 vezes o mesmo ano.
Não me queixo do meu trabalho, gosto dele,foi minha escolha ;sei convencer; no fim do dia a colheita é boa, mas a luta é intensa; venda não é trabalho para fracos, principalmente a venda porta - a - porta-. Aqui não tenho stress,dores de coluna,apesar de subir e descer escadas inúmeras vezes durante o dia,tudo funciona bem,meu humor é ótimo e o ar que respiro é tão puro como o do dia da criação.Aprendo muito,inclusive a ser menos individualista,aperfeiçôo-me mais ainda,procuro ter uma visão diferente das coisas.Penso muito.O suave balanço do navio é o melhor tranqüilizante que há;durmo bastante;é só deitar e apagar.


O mar está azul-mediterrâneo; um belo sol brilha sobre as ondas. Às 11 da noite passaremos por Cabo Verde.Vai estar bem escuro,mas,mesmo assim, tentarei ver alguma coisa nem que seja o contorno do monte,envolto na escuridão;o lendário Cabo Verde dos meus livros de Historia:..as terras a oeste de Cabo Verde pertencem a Portugal?Já nem lembro mais. Se naquela época alguém me dissesse que eu passaria tão perto,de navio rumo a Gênova e depois,de volta para o Brasil,eu chamaria este alguém de louco;Cabo Verde,porta do mar Tenebroso;outros visionários passaram por aqui,Colombo,Cabral;estou em boa companhia.
O capitão quer chegar a Tenerife ás 16hs de segunda feira, para pegar o comercio aberto. Pretendo comprar alguma coisa.Aproveitarei o domingo para fazer uma exposição de minhas peças para a tripulação;se vender, só precisarei me preocupar em comprar e passear.
Minhas proveitosas conversas com Ray continuam; hoje o assunto foi Filipinas, seus pais natal. O idioma oficial é o tagalo,porem há um monte de dialetos espalhados pelo país;Ray é da região de Negos,fala hiloílo;o capitão é da ilha de Mindanao;Filipinas fica a uma semana de barco de Taiwan,em pleno mar da China.Francis diz que não conhece um filipino velho,todos usam uma hena que tinge o cabelo de preto e têm a pele lisa e jovem;não sei o que fazem,são muito vaidosos e se cuidam bem;capricham nos exercícios físicos e na alimentação saudável,á base de peixe.

O primeiro oficial, ou THE FIRST, é casado e pai de três filhos. Sua esposa cuida do lar,no bom estilo conservador,que os filipinos tanto apreciam.Tanto conservadorismo faz sentido;ele receia que ,com o pai embarcado e a mãe trabalhando fora as crianças caiam nas malhas dos dois maiores pesadelos deste país:as drogas e a prostituição.
O povo deste minúsculo país, na verdade um arquipélago, que já sofreu tanto com o desgoverno dos Marcos-Ferdinand e Imelda - é extremamente religioso, supersticioso, alegre e fácil de conviver; Disciplinados, responsáveis e cumpridores de seus deveres, conseguiram seu lugarzinho ao sol nesta profissão que antes era apanágio dos europeus; assim, eles encontraram um meio de prosperar e levar conforto ás suas famílias; para os armadores é ótimo já que eles ganham bem menos que um comandante europeu por exemplo, sem contar que os marujos europeus são muito chegados á uma caninha enquanto os filipinos só bebem chá.


Já passa da meia noite; sento perto do telefone esperando um chamado da ponte avisando da proximidade de Cabo Verde
Amanhã e domingo serão mais dois dias em alto mar; a Europa está chegando com suas atrações e seu fascínio; muita coisa para ver e fotografar.

Aos poucos, vou me entrosando neste mundo fechado da navegação; um mundo fervilhante que gira em torno dos navios. Muita gente sobrevive dele,ao redor dele ou por causa dele;há o “ship-chandler”que providencia o abastecimento do navio;há um provedor para o supermercado,para a padaria,para as bebidas;há as agencias locais que representam as grandes companhias internacionais e que recebem ou captam os pedidos de carga;há os engenheiros de refrigeração que consertam os containeres danificados e cobram uma fábula pelo trabalho de pouco mais de uma hora.Ainda há os agentes como o Raul,que prestam assistência á tripulação, providenciam a documentação do navio e a arrumação e conferencia da carga.Ha os que faturam seu dinheirinho vendendo espaços para a carga;e como em todo lugar ,tem também os mafiosos,os atravessadores,aqueles que só querem se dar bem;sem falar nos estivadores,os motoristas contratados para levar e trazer comandante e tripulação,nos hotéis onde se hospedam

Com os práticos é outra estória: há uma relação de amor e ódio entre eles e os comandantes; os comandantes cismam com eles; não é em todos que confiam; ainda no porto o ship-chandler liga para o comandante á bordo e recomenda tal prático, que por sua vez, ao chegar primeiro no navio não se esquece de pagar o favor recebido oferecendo ao comandante o cartãozinho do shipchandler; todo um pequeno mundo periférico ganhando dinheiro graças ao navio.

Os comandantes são uma fauna á parte: há os iranianos e árabes que não falam com mulheres, só tratam de negócios com homens; há os que dão preferência ao shipchandler que prometer lhe arranjar uma garota bonitinha, carinhosa, ”limpinha”, de preferência de família. há os angolanos pretos retintos,só os dentes aparecem,porém solenes,cheios de prosopopéia.Os alemães vão de um extremo a outro:ou são bem arrumados,impecáveis nos seus uniformes elegantes,com seus navios funcionando com a precisão germânica ou são esculhambados e barulhentos;bebem até cair e adoram uma confusão.Enfim é um mundo fascinante,diferente,competitivo e de certa maneira,perigoso;um mundo onde rola muito dinheiro e também muito mau-caratismo,muito trabalho e muita patifaria,mas quem está dentro não quer sair.
Cabo Verde que vi, não vi; escuridão total. De longe brilharam as luzes da Ilha do Fogo,mas tão tênues e distantes que quase não se percebiam.O “second”ofereceu-me um café com leite no deck;quase não enxerguei a xícara;tentei olhar a ilha pelo binóculo.Nada.Desisti.See you later,amigo;talvez na volta.
Adiantei o relógio mais uma hora; Serão mais três até Barcelona.
Oba acabei vislumbrar Cabo Verde, iluminado como um presépio; eram as duas da madrugada; o céu estava lindo; a Via Láctea cintilava num céu límpido; localizei o Cruzeiro do Sul; com o binóculo se vê bem o contorno da cruz. Foi um espetáculo inesquec ível.
IMG:O Zim Uruguay,singrando os mares
O First,no comando

sábado, 26 de dezembro de 2009

DIÁRIO DE BORDO CAP:VII





TERCEIRO DIA À BORDO: QUARTA_FEIRA, 13/4/94

Exatamente ás 5.50, passamos sob o Equador; acho que não verei mais o Cruzeiro do Sul; eu o procurava no céu todas as noites. Não acordei para ver a passagem; perdi a oportunidade de me batizar.Temos mais dois dias de navegação em alto mar até vislumbrarmos as montanhas de Cabo Verde;passaremos a cerca de 5 milhas da costa,única terra perto de nós nesta imensidão toda.
O sol está querendo aparecer; a ordem para encher a piscina já foi dada. Navegamos em um mar de almirante, com ventos brandos.
Levantei-me ás 9,30 e subi para a sala de comando,sem dúvida ,o lugar mais interessante do navio; ampla, clara, arejada com uma visão periférica de todo o oceano. José Ray, o oficial do dia, me pede para escrever uma carta, em inglês, pedindo autorização para a namorada dele embarcar, Por que não?O amor é lindo!
Desde cedo estamos em águas internacionais.
Nossa chegada á Las Palmas vai atrasar um bocada devida ás ordens recebidas;de novo diminuir a velocidade,desta vez porque há muitas embarcações no porto;o atraso evitará a demora nas operações de carga e descarga o que onera os custos;Armadores não gostam de perder dinheiro.

Quase não há o que se fazer no navio e se faz tanta coisa!Leio, escrevo,passeio, vou até o convés, ao parque dos containeres, vou até a popa, olhar a esteira de espumas; Na proa, sozinha naquela imensidão sem fim, nenhum barco por perto, só céu e mar... há um momento de comunhão com a natureza,a gente “fala com Deus! A harmonia,a tranqüilidade,a paz que vem de fora para dentro e que nos envolve,muda nossos conceitos e de repente se percebe a inutilidade das preocupações tolas,a brevidade da vida,a tolice que é a luta pelo ‘ter”,a corrida de ratos para ver quem chega primeiro,quem tem o carro mais caro ou quem é mais craque em passar a perna no outro e chegar ao topo;mas,ao topo de quê ? O mar me pergunta e eu não sei responder; por que sempre me preocupei com o ...ser.
Logo vem o chamado para o almoço; a eterna sopa de peixe, com aspecto de comida de hospital, mas, eu tomo sem reclamar; o aspecto não era convidativo, mas o sabor era bom. Turista tem estômago de avestruz, tem que comer de tudo e achar bom porque viajar é desarmar-se, esquecer comodidades em troca de conhecimento: ver, gravar, aprender, compreender, aceitar, Tomo a sopa, bebo o chazinho que já estou acostumada e chupo uma talhada de melancia; não sinto fome; Depois, um passeio á proa para “fazer o quilo” e jogar umas flores para Yemanjá. Na volta passamos pelo parque de containeres,vejo o mar de pertinho;dá até vontade de cantarolar ‘’’Sobre As Ondas”.
IMG 1:exercicios na sala de ginástica
IMG:2na sala de comando
IMG:3:o sucesso da salada de lagosta


sábado, 19 de dezembro de 2009

DIÁRIO DE BORDO,CAP.VI




Fui conhecer o resto do navio; desci para a barulhenta casa de máquinas, reino inequívoco do “chief engineer” que não gosta muito de visitas. O aspecto é de uma usina,com seus pistões gigantescos e painéis eletrônicos,mostrando tudo que se passa á bordo;fomos até as imensas câmaras frigoríficas onde são guardados os mantimentos divididos em três:carnes,legumes e bebidas. Descemos á sala de ginástica, interditada,desde que um comandante barbeiro bateu no navio em Las Palmas;há uma bicicleta ergométrica que eu gostaria de usar;

O tempo piorou; chove bastante e faz frio, Ainda devemos estar perto de terra, pois temos a companhia das gaivotas .. Resolvemos fazer uma salada de lagosta..René é democrático;sua comida é igual á de toda tripulação.
Agora estamos mesmo longe da terra; rumamos em direção a Cabo Verde e só domingo chegaremos á Tenerife e Las Palmas, Para cada canto que se olhe é só mar aberto. A temperatura na cabine é de 30 graus,mas ,na água é de 90 graus,devido a uma corrente que vem da África.

Ofereço-me para fazer a salada de lagosta; saio da cozinha com uma unha danificada, mas, espero que não o meu orgulho; Será que não carreguei demais no vinagre?E se aquela seleta alemã de legumes já estiver muito condimentada, comprometendo o sabor suave da lagosta?Cozinheira amadora,estou sempre de pé atrás com minhas obras gastronômicas.

O cair da tarde é à hora mais triste no mar. Quase nada para fazer, principalmente com chuva; o capitão recolhido na sua cabine, a tripulação descansando e eu que não trouxe nada para ler, fico no camarote olhando o nada. Já adiantamos mais uma hora e amanhã á noite mais outra.Cruzaremos o Equador em plena madrugada,5:50hs;o cap. que adora mexer comigo diz que é para eu ficar olhando bem firme e verei a linha do Equador;Dizem que mesmo com o sol a pino ou com lua não se vê sombras;Também não há pecados ao sul do Equador.

A salada de lagosta foi um sucesso; todos comeram com gosto; Estou imprimindo o “meu jeito baiano de ser, aos poucos neste navio; a comida já está mais “quente” e colorida; Abaixo a água de pé quente do cozinheiro filipino. Viva a república do chá! Não é que me sinto bem melhor e minha pele está mais fina e macia?

Não sei se ainda chove; há quase quatro horas que não vejo o mar. René diz que vai mandar encher a piscina; pergunta-me se sei nadar; eu lhe respondo: pra quê?Então não há cá navios?

sábado, 12 de dezembro de 2009

DIÁRIO DE BORDO:CAP:V










Começo a fazer planos para a chegada a Tenerife; compras, lembrancinhas, postais; seria bom ter umas coisinhas na cabina, melhorando o rango de bordo, ”munição ocidental de boca” por assim dizer: uns biscoitinhos maneiros, chocolates, um café decente em lugar do café descafeinado de bordo. Penso em telefonar para casa, as ligações feitas daqui são muito caras. Ainda não havia celulares,vejam como o mundo avançou tanto,em relativamente pouco tempo.A saudade dos meus sentou praça aqui e não me deixa;só do meu marido,presente a cada instante desta viagem,,digo para ele”não sinto saudade,companheiro,estiveste comigo a noite inteira.”

Pela manhã havia um tripulante trabalhando no parque dos containeres; com uma prancheta anotava dados; muito concentrado no que fazia , não parecia preocupado com a proximidade do mar e a falta de grades de proteção; ignorando o balanço continuava escrevendo o que estava nos mostradores dos painéis de controle e nos contadores com a tranqüilidade de quem estivesse numa sala de escritório em Santos.


Bravo! Vimos F, N. a menos de uma milha; com o binóculo pude divisar as raras casas, a igrejinha, a mata cerrada e o grande pico que parece um falo gigantesco, encimado por um farol. Revoadas de peixes voadores pulavam á nossa frente, coloridos, brilhando com os raios do sol; corriam das gaivotas, na caça e elas sempre conseguem pegar alguns. Vale a pena assistir a dança dos golfinhos, num ecossistema quase virgem. O arquipélago é o paraíso dos ecologistas, dos mergulhadores,atraídos pela visibilidade de mais de cem metros de águas claras,durante todo o ano,
São 21 ilhas, cercadas de golfinhos brincalhões, que adoram se exibir e fizer piruetas, perto dos barcos; os turistas é que estão proibidos de nadar perto deles. Os cerca de 1600 moradores da ilha não foram afetados pela civilização;não têm TV e estão livres de aturar as baboseiras das novelas
e dos programas humorísticos que fazem chorar; assim como o meio ambiente, estão livres da contaminação visual e da poluição ambiental do chamado mundo civilizado. Soube que as acomodações na ilha são precárias, sem grandes hotéis ou pousadas sofisticadas;mas,naquele paraíso,quem liga para isso?
Francis e eu fomos correndo para a proa ver a ilha mais de perto; penduramos as pernas na grade da proa e ficamos olhando tudo, deslumbradas; para chegar até lá tivemos que atravessar todo o parque de containeres e subir uma escada rudimentar, igual á dos parques de diversão infantis; Cook, o cachorrinho de estimação de Francis, mascote do navio, nos acompanhava ,curioso. Eu estava no céu; fui apresentada á “Ball” do navio,também chamado de nariz,que fica 9m sob o mar e dá equilíbrio ao barco.O mar em F.N. é tão límpido que ,mesmo chovendo,pode-se ver a pureza da água´,com uma belíssima coloração lápis-lazuli..O navio apitou saudando a ilha;que foi ficando para trás,como um paraíso perdido.
IMG:meu deslumbramento diante do Arquipélago de Fernando de Noronha
A ilha vista do mar
Eu e o Cook,nosso companheirinho de viagem.

sábado, 28 de novembro de 2009

DIÁRIO DE BORDO.CAPITULO III





Nos navios modernos não existe mais a figura do sparks, telegrafista, substituído pela tecnologia.Raul diz que hoje não há mais navegadores,há técnicos. Barra pesada deveriam enfrentar os marinheiros de antanho, guiando-se pelas estrelas, lutando contra o Mar Tenebroso, com seus aparelhos rudimentares, bússola e astrolábio, Assim mesmo realizaram grandes feitos cheios de garra e coragem. Fitando o Cruzeiro Do Sul, na noite quieta e estrelada, fiquei pensando em quantos pares de olhos fitaram este mesmo céu impassível, temendo pelo seu destino.
”Homens do mar oh! rudes marinheiros, tostados pelo sol dos quatro mundos; já cantava o poeta.

Fiquei muito tempo na ponte, antes da chuva, vendo Salvador se distanciar, aconchegando no seu colo todos os que amo; São 17.15 e se não estivesse nublado logo-logo daria para assistir o pôr-do-sol, o meu primeiro á bordo. São 18 horas e a noite no mar chega mais cedo, O navio balança cadenciada mente; tenho que conviver com isto durante alguns meses. Todos os cômodos da cabine tem uma alça para a gent e se segurar quando o balanço for mais forte. Só vejo mar, um belo, tranqüilo e brilhante mar azul ,Yemanjá mostrando sua bela face de paz, Não sei ainda qual é a nossa posição; penso que estamos perto do Recife, mas, passaremos ao largo.

Tomei minha primeira refeição á bordo, na cabina; frutas tropicais, água mineral filipina e chá quente que o capitão me trouxe pessoalmente ,juntamente com uma caixa de bombons. Já estou mais acostumada com o balanço. Distraio-me vendo filmes e folheando antigas revistas holandesas que o hóspede anterior deixou aqui.

TARDE

O dia estava lindo; mar azul e céu de almirante; Fiquei algum tempo na ponte, conversando com os oficiais; aprendi a calcular a distancia até o próximo porto diante de uma carta de navegação; á esteira do navio a espuma formava lindos desenhos, como a cauda de um vestido de noiva cheia de rendas valencianas, Final da tarde ,ceamos e depois fui passear no parque de containeres,carregados das mais diversas mercadorias rumo aos portos do Mediterraneo. Havia siglas e escritos incompreensíveis para mim, Tara, CU CAP etc., Começo a me familiarizar com a tripulação; o faxineiro não deixa de me saudar com um gostoso ”Hello” quando nos encontramos, nos meus incansáveis passeios pelo navio.
Às 16.30 passamos ao largo de Recife, que vi graças aos potentes binóculos de bordo.
Amanhã lá pelas 11hs. estaremos bem perto de Fernando de Noronha; vai dar para ver e fotografar a ilha. Os pássaros de lá já vieram visitar o navio e as plantas do Comandante espalhadas por todo canto; até um abacateiro ele tem.

O comandante adora plantas, comida natural e chá; como se toma chá mate neste navio!Até quando a gente desce as escadas, passando próximo ao alojamento da tripulação, o aroma do chá entra por nossas narinas, envolvendo tudo.
Amanhã, por volta das 11hs, estaremos bem perto de Noronha. Vai dar para ver a Ilha;
Aproxima-se outra noite; céu límpido. Atrasaremos os relógios em uma hora; serão 5hs a adiantar até Barcelona. Com a noite chega a saudade; vem devagarzinho se instalando, como quem não quer nada; sinto falta de Raul, imagino como ele gostaria de chegar do trabalho e encontrar conforto nos meus braços...
Hei de levar comigo uma saudade tua...
Hei de deixar contigo uma saudade minha...

Assisti “Free Willy no vídeo; agora é dormir na expectativa de Noronha.
Os chefões, em Santos, mandaram diminuir, por economia, a velocidade do navio, vamos atrasar.
Quem chegou para o jantar foi uma deliciosa carne assada, corada, gostosa, caprichada; ponto para o Cook; mas não faltou a eterna sopa de peixe, incolor e inodora, e o chá de mate de sempre;.René me oferece uma salada de pepino; diz que é para ficar mais sexy. Nunca soube desta propriedade do pepino; só se for a Manilla. Fui informada que a sala de ginástica estava interditada porque o navio sofreu uma avaria. Nem me atrevo a perguntar o quê causou essa avaria.

**************************************************
À noite, após o jantar, vimos um filme;,o favorito do capitão, "Litlle Woman." (Uma linda mulher)Comemos pipoca; o horrível café solúvel, não consegui encarar. Espero acordar amanhã para ver o nascer do sol.





Dormi muito bem e um quente raio de sol veio me dar os bons-dias. Da escotilha na cabina, até onde a vista pode alcançar,apenas um mar azul imenso e profundo.
E o céu azul
claro,
aparecendo sem manto de névoa
para se esconder...
O mar brilhando
refletindo
o brilho do sol!
IMG:Um passeio descontraido á popa do navio.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

VÁ PRÁ PONTE QUE CAIU...


A PONTE QUE CAIU
VIRAM COMO ESSE PAÍS
VIROU UMA BANDALHEIRA,
OS POLITICOS CORRUPTOS
PISAM NA NOSSA BANDEIRA
SÃO PAULO,QUE COISA TRISTE!
RESPIRA LIXO E SUJEIRA
NADA MAIS AQUI ESCAPA
DE TANTA MARACUTAIA,
JUDICIARIO,SENADO,
TUDO TÁ CONTAMINADO,
PARECE ATÉ BRINCADEIRA.
ME PERGUNTO O QUE FIZERAM
DO MEU RIO DE JANEIRO
NÃO É SÓ BALA PERDIDA,
TÁ PERDIDO POR INTEIRO.
DOMINADO POR MILICIAS,
TRAFICANTES,DESORDEIROS.
...E O NORDESTE,COITADO!?
SEM DEIXAR DE SER CURRAL
TODO ANO,TODA VEZ
É REDUTO ELEITORAL
DOS MESMOS SAFARDANAS,
QUE MANDAM SEM QUE LHES CASSEM
A JUSTIÇA ELEITORAL.
MAS,O FEITIÇO ESTÁ VIRANDO
CONTRA O PROPRIO FEITICEIRO
O POVO NÃO ESTÁ MAIS BESTA
TIRA O COURO DOS POLITICOS
,CADA DIA,MAIS SOMITICO,
SOBRE O VOTO QUE VAI DAR.
CADÊ O ELEITOR?SUMIU!
E NO DIA DA ELEIÇÃO,
VAI MANDAR SEM RESTRIÇÃO,
TUDO QUE É CANDIDATO
DO MAIS CARO AO MAIS BARATO
PARA A PONTE QUE CAIU...
Charge:Ilvan