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sábado, 20 de fevereiro de 2010

DIÁRIO DE BORDO CAP:VII




TERÇA-FEIRA.20
Com as coisas,em boa hora compradas em Las Palmas,tomo um excelente café da manhã:frutas,suco de laranja,biscoitos;o cream-cracker daqui não é tão gostoso como o nosso,mas,é salgadinho,crocante e o mais importante,enche a barriga.Nem posso me exceder na comida,sinto-me preguiçosa,quando levanto nem sempre desejo correr para a proa,ir á cabina de comando conversar;até prefiro ficar no camarote lendo ou escrevendo.
Acabou a lua de mel com o navio?Acho que não,só estou me acostumando á rotina.Quem me contou a estória de um velho lobo do mar que comandava um navio inglês
· e se suicidou cansado de “buttoning and unbuttoning” a farda todo dia.A rotina mata.

Pelo rádio fiz meus pedidos para Barcelona;Vou pagar U.S.250,um pequeno,mas,significativo baque nas minhas finanças;mas,otimista como sou, pretendo vender mais na Itália.
Ontem ,apareceram as baleias;foi pena,não vi;soube que o esguicho de uma delas tinha quase um metro e meio.Marrocos está bem perto daqui;há pássaros no ar; dá para ver a TV Marrocos no nosso aparelho,no navio.Como uma milionária grega sento-me no deck superior,”sup-deck” para os íntimos,acomodo-me numa confortável cadeira de praia e com uma revista espanhola no colo ponho-me a ler ,olhando o mar azul l
;Está frio,mas,estou bem agasalhada.Aprendo um pouco sobre o navio.O ZIM é um imenso cargueiro com bandeira de St. John construído em estaleiros alemães, atualmente com tripulação filipina.Quando nasceu chamava-se Tahasse e era negro;a Cia. De Israel o fretou,mudou a cor para branco e verde,pô-lo bonito e deu-lhe o nome de ZIM URUGUAY;ele faz parte de uma trilogia:há o ZIM ARGENTINA e o ZIM BRAZIL,cujo comandante era um velho mal-humorado;ZIM é o nome da companhia afretadora em Israel.Os filipinos e orientais em geral estão tomando de assalto as rotas marítimas porque são ordeiros,trabalhadores responsáveis e atenciosos;alem disso são bons marinheiros.Estão sempre estudando porque querem se aperfeiçoar cada vez mais na sua profissão.Pesa tambem a vantagem econômica;ganham menos que os europeus e são tão bons quanto.São muito religiosos e conservadores,muito família,todos eles.Geralmente são casados,têm mulher e filhos na sua terra;nos portos onde passam, quase ninguém desce,ocupados em trabalhar;só o “chief cook” saiu;não vejo baderna nem putas á bordo como nos outros navios.O comandante é democrático e sua autoridade parece emanar da sua bondade natural; nunca o vi aos gritos ou dando broncas em ninguém; todos seguem suas determinações; não há diferença marcante entre a tripulação e os oficiais; todos comem a mesma comida, bebem o mesmo chá e voltam contentes para seus alojamentos.
Quando eu e Francis ,por gosto,vamos para a cozinha, lavamos todas as vasilhas que usamos deixando tudo limpo; Os oficiais trabalham quatro horas cada -em regime de quarto – necessário ter sempre alguém na ponte de comando; quando não estão trabalhando, vêem TV ou vídeo na sala de refeições deles; ou vão para a sala de jogos, quase sempre aos domingos;por nossa causa o comandante vetou a piscina durante a semana, mas, aos domingos é só deles. Entre si falam Tagalo, idioma oficial do seu país; quando os interlocutores são da mesma região não é raro.,
vê-los se expressar no dialeto regional. Amam seu pais, os americanos em geral e o Gen. Macarthur em particular; odeiam, comunistas,Marcos e a Imelda ,a dos milhares de sapatos e acham que a melhor maneira de se livrar de um mau presidente é com um bom tiro de fuzil; com o que concordo plenamente.A sala de comando,onde adoro ficar é arejada,clara,cheia de plantas e pássaros empalhados;é onde fica toda a parafernália náutica necessária á navegação:mapas,telefones,telex,radares, painéis,bússolas etc.Alem de tudo tem café,boa música vinda de um rádio possante e um oficial gentil para conversar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

DIÁRIO DE BORDO CAP:XII




A visão de terra me deixa excitada, mas, triste; estou com um ar meio esquisito, baixa energia, o quê será? Saudades de casa, cansaço da rotina diária, sei lá;

São 16.15 e acabamos de atracar. A cidade vista do porto parece-se com as velhas cidades orientais construídas sobre platôs,casas coloridas;o porto é grande e organizado;estivadores bem vestidos com jaquetas coloridas ajudam a puxar o navio.O prático veio á bordo;é um senhor de meia idade,com porte de almirante;mas,sua atitude imperial não lhe ajudou muito;o Cap. não gostou dele,puxou o famoso beicinho.Francis e eu começamos a fotografar.

Meia noite e cinco - hora local.

Vamos deixando Tenerife para trás; mas, não é um adeus; é um até breve.

Um pouco depois das três ,o agente local nos levou até o centro no seu Fiat; è
uma bela cidade com praças arborizadas, ruas bem tratadas, vetustos prédios coloniais e uma feição predominantemente européia. Só fomos desta vez até o calçadão principal onde se concentra o comercio mais importante.Visitamos lojas elegantes com preços que regulavam os do Brasil.Com medo de gastar demais,neste inicio de viagem,comprei o que precisava,não o que desejava:uma caneta,um hidratante para o corpo e pasta de dentes;só coisas prosaicas;esnobei os souvenirs,não por falta de vontade,mas,por precaução;ainda há muito chão pela frente e sapo não pula por boniteza mas,por precisão;Os imigrantes indianos predominam no comercio local;comercializam.pratas,pérolas,citrinos;também corais,turquesas,olho de tigre,estas bem mais caras.Aqui como lá tudo vem de Taiwan neste mundo globalizada.
Uma chuva de outono,fininha,caía sobre a cidade;jantamos num restaurante chinês perto do porto;comida gostosa,porém bem mais gordurosa que as nossas;a conta,para três foi modesta:apenas U.S.28.Voltei e fui assistir o navio desatracar.Tudo correu bem com o pratico e o rebocador a postos;em navegação tudo funciona e tem que funcionar como um relógio:prazos,horários,chegadas,partidas tudo é adredimente controlado.

Chegaremos á Las Palmas amanhã, madrugada;estamos vazios; o Zim joga um bocado,mas,vai vencendo os mares.Temos mais 4hs de navegação.

Como toda cidade européia ,há poucos jovens em Tenerife,pouquíssimas crianças e muitos idosos e cidadãos de meia-idade.Alguns olhavam para mim e René com olhos curiosos parece que nossas caras pouco européias chamavam atenção,apesar desta cidade portuária receber freqüentemente gente de toda parte do mundo e a população daqui não seja composta exatamente de arianos .É certamente uma cidade agradável pra morar,pequena,ordeira,limpa,povo educado.trânsito disciplinado e não tão cara como outras cidades espanholas.Belos edifícios,comercio forte,muitos turistas á procura do sol das Ilhas Canárias.Ha belas praias aqui;existe uma estação de águas só para a terceira idade,alias,muito valorizada em todo continente.A população não aceita bem o dólar;para as compras tive que fazer cambio por pesetas;a cultura também é muito valorizada;no calçadão ,a cada dois metros .há uma pequena livraria,tipo banca de revista,especializada em alguma matéria:cozinha,livros esotéricos.de arte,literatura,jogos etc. alem de jornais e revistas do mundo inteiro;Acostumada a encontrar em Salvador um bar em cada esquina e raras livrarias fico com água na boca;sei que a galinha do vizinho é sempre mais gorda que a nossa,mas,esta cidade tem mais a ver comigo que as do meu próprio país.

O frio estava terrível;Francis emprestou-me uma jaqueta de couro;foi o que me valeu.

Tenerife está á minha frente; desde ontem que podia ser vista com a ajuda do binóculo. Apesar do tempo nublado percebe-se o contorno de um monte negro que avança para o mar e o branco do casario;noto a ausência de vegetação.Do lado opos to fica Las Palmas,que o tempo enevoado não nos deixa ver.
IMG:Tenerife,nas Ilhas Canárias

sábado, 16 de janeiro de 2010

DIÁRIO DE BORDO:CAP X




Sábado, 16 de Abril. Sexto dia “al mare”

Ontem de madrugada foi um baita alvoroço. Já tinha desistido de ver alguma coisa de .Cabo Verde, naquela escuridão.Meia hora depois o telefone tocava como louco,batiam na porta;acordei meio zonza,sem acertar com o lado da cama,buscava a lâmpada na cabeceira;o telefone a as batidas continuavam,frenéticos.Enfim,encontrei a luz,enfiei um roupão por cima da camisola e atendi o telefone primeiro;era o second avisando que já se viam as luzes de Cabo .Verde. e que o capitão mandara me chamar;abri a porta e lá estavam o CAP. e Francis me aguardando;subimos céleres para o deck e eu pude ,enfim, ver a cidade iluminada.;parecia um presépio,um belo colar de luzes emoldurando o Oceano.Para completar aquela sensação mágica vi o Cruzeiro do Sul sobre minha cabeça a Via Láctea cintilante ,o lendário caminho de Santiago.

Cabo Verde é um país africano constituído por 10 ilhas; foi descoberto e colonizado pelos portugueses desde o sec.XV até1975.
Foi um grande entreposto colonial. Sua capital,a cidade de Praia é pequena,mas,interessante.A ilha do Fogo ,ponto culminante do país tem um vulcão ativo. Com uma economia pobre baseada na agricultura e artesanato, a emigração é constante. A cultura é miscigenada,mas há alguns escritores e poetas festejados;na música Cesárea Évora,a diva dos pés descalços é imbatível ,com as mornas e coladeiras,algumas vezes cantadas no dialeto crioulo,o”criol-kriolu”.Cheia de emoção fui dormir.

Procuro uma blusa fresca para usar hoje e aproveitar o belo sol da manhã; acho uma que usei há dias em Salvador; ela tem um bolsinho; dentro dele adivinhem?Achei um prosaico vale-transporte, objeto muito útil durante o mês de Abril em Salvador, Bahia Brasil, ,, mas completamente fora de propósito aqui, a algumas milhas de qualquer terra habitada, em pleno mar Oceano, a nove dias de Noronha e possíveis cinco dias de Barcelona, Espanha. Joguei-o aos peixes e fiquei matutando sobre os valores materiais pelos quais as pessoas tanto se ferem umas ás outras.


Fim de tarde

Como não havia descoberto ainda o deck superior!?È lindo, branquinho e isolado; parece que estou num transatlântico. Francis e eu levamos nossa cervejinha gelada e conversamos até a hora do almoço.A carne estava gostosa,no ponto;mudou o cozinheiro ou mudei eu?

Voltei ao deck nesta tarde linda; o mar de um azul intenso, sereno, Faço a saudação á Yemanjá: ODO-YA.

Imagino como seria bom se Raul voltasse a navegar e eu fosse com ele iniciando uma livre, leve, promissora carreira de leva-e-traz; comprar na Europa e Oriente vender no Brasil e vice-versa. Ganharíamos em qualidade de vida,liberdade,contato com a natureza,paz,alem do vento do mar nos nossos rostos e o sol a queimar...À noite nos amávamos no deck superior,embalados pelas ondas e sob o manto diáfano da Via Láctea.
23.45


Jantamos a moqueca de camarão que eu fiz; o cap. queria uma comida afrodisíaca. O jantar foi regado á vinho e de quebra teve bolo feito pelo Cook.


sábado, 9 de janeiro de 2010

DIÁRIO DE BORDO CAP:IX




5º dia á bordo

Venho do breakfast; dia nublado, mar calmo. Capricho na toilette.lavo o cabelo tudo para me preparar para descer em terra.Deve levar ainda uns dois dias,aqui a gente perde um pouco a noção do tempo e o relógio vira um acessório inútil,pelo menos para mim que não tenho obrigações.Tudo parece simples:quando desponta a aurora,com seus dedinhos cor de rosa,abrindo a cortina do dia,sei que é hora de acordar; sol a pino,hora do almoço;crepúsculo,hora do jantar,simples assim.Penso que se estivesse em Salvador há muito já estaria correndo pela rua,numa azáfama,pegando os ônibus da Sul America,debaixo de um sol escaldante,caçando alguém para vender,cobrar ou pagar:a eterna corrida de ratos,trabalhar o dia inteiro,abrir mostruário,fechar mostruário,negociar,exigir,pechinchar,ouvir com simpatia os problemas da clientela,quase sempre os mesmos:falta de dinheiro(cada vez sobra mais mês no fim do meu dinheiro),falta de atenção,frustrações,sonhos desfeitos,uma vida vivida igualzinha todos os dias;me parece que as pessoas não vivem-digamos-50 anos;vivem 50 vezes o mesmo ano.
Não me queixo do meu trabalho, gosto dele,foi minha escolha ;sei convencer; no fim do dia a colheita é boa, mas a luta é intensa; venda não é trabalho para fracos, principalmente a venda porta - a - porta-. Aqui não tenho stress,dores de coluna,apesar de subir e descer escadas inúmeras vezes durante o dia,tudo funciona bem,meu humor é ótimo e o ar que respiro é tão puro como o do dia da criação.Aprendo muito,inclusive a ser menos individualista,aperfeiçôo-me mais ainda,procuro ter uma visão diferente das coisas.Penso muito.O suave balanço do navio é o melhor tranqüilizante que há;durmo bastante;é só deitar e apagar.


O mar está azul-mediterrâneo; um belo sol brilha sobre as ondas. Às 11 da noite passaremos por Cabo Verde.Vai estar bem escuro,mas,mesmo assim, tentarei ver alguma coisa nem que seja o contorno do monte,envolto na escuridão;o lendário Cabo Verde dos meus livros de Historia:..as terras a oeste de Cabo Verde pertencem a Portugal?Já nem lembro mais. Se naquela época alguém me dissesse que eu passaria tão perto,de navio rumo a Gênova e depois,de volta para o Brasil,eu chamaria este alguém de louco;Cabo Verde,porta do mar Tenebroso;outros visionários passaram por aqui,Colombo,Cabral;estou em boa companhia.
O capitão quer chegar a Tenerife ás 16hs de segunda feira, para pegar o comercio aberto. Pretendo comprar alguma coisa.Aproveitarei o domingo para fazer uma exposição de minhas peças para a tripulação;se vender, só precisarei me preocupar em comprar e passear.
Minhas proveitosas conversas com Ray continuam; hoje o assunto foi Filipinas, seus pais natal. O idioma oficial é o tagalo,porem há um monte de dialetos espalhados pelo país;Ray é da região de Negos,fala hiloílo;o capitão é da ilha de Mindanao;Filipinas fica a uma semana de barco de Taiwan,em pleno mar da China.Francis diz que não conhece um filipino velho,todos usam uma hena que tinge o cabelo de preto e têm a pele lisa e jovem;não sei o que fazem,são muito vaidosos e se cuidam bem;capricham nos exercícios físicos e na alimentação saudável,á base de peixe.

O primeiro oficial, ou THE FIRST, é casado e pai de três filhos. Sua esposa cuida do lar,no bom estilo conservador,que os filipinos tanto apreciam.Tanto conservadorismo faz sentido;ele receia que ,com o pai embarcado e a mãe trabalhando fora as crianças caiam nas malhas dos dois maiores pesadelos deste país:as drogas e a prostituição.
O povo deste minúsculo país, na verdade um arquipélago, que já sofreu tanto com o desgoverno dos Marcos-Ferdinand e Imelda - é extremamente religioso, supersticioso, alegre e fácil de conviver; Disciplinados, responsáveis e cumpridores de seus deveres, conseguiram seu lugarzinho ao sol nesta profissão que antes era apanágio dos europeus; assim, eles encontraram um meio de prosperar e levar conforto ás suas famílias; para os armadores é ótimo já que eles ganham bem menos que um comandante europeu por exemplo, sem contar que os marujos europeus são muito chegados á uma caninha enquanto os filipinos só bebem chá.


Já passa da meia noite; sento perto do telefone esperando um chamado da ponte avisando da proximidade de Cabo Verde
Amanhã e domingo serão mais dois dias em alto mar; a Europa está chegando com suas atrações e seu fascínio; muita coisa para ver e fotografar.

Aos poucos, vou me entrosando neste mundo fechado da navegação; um mundo fervilhante que gira em torno dos navios. Muita gente sobrevive dele,ao redor dele ou por causa dele;há o “ship-chandler”que providencia o abastecimento do navio;há um provedor para o supermercado,para a padaria,para as bebidas;há as agencias locais que representam as grandes companhias internacionais e que recebem ou captam os pedidos de carga;há os engenheiros de refrigeração que consertam os containeres danificados e cobram uma fábula pelo trabalho de pouco mais de uma hora.Ainda há os agentes como o Raul,que prestam assistência á tripulação, providenciam a documentação do navio e a arrumação e conferencia da carga.Ha os que faturam seu dinheirinho vendendo espaços para a carga;e como em todo lugar ,tem também os mafiosos,os atravessadores,aqueles que só querem se dar bem;sem falar nos estivadores,os motoristas contratados para levar e trazer comandante e tripulação,nos hotéis onde se hospedam

Com os práticos é outra estória: há uma relação de amor e ódio entre eles e os comandantes; os comandantes cismam com eles; não é em todos que confiam; ainda no porto o ship-chandler liga para o comandante á bordo e recomenda tal prático, que por sua vez, ao chegar primeiro no navio não se esquece de pagar o favor recebido oferecendo ao comandante o cartãozinho do shipchandler; todo um pequeno mundo periférico ganhando dinheiro graças ao navio.

Os comandantes são uma fauna á parte: há os iranianos e árabes que não falam com mulheres, só tratam de negócios com homens; há os que dão preferência ao shipchandler que prometer lhe arranjar uma garota bonitinha, carinhosa, ”limpinha”, de preferência de família. há os angolanos pretos retintos,só os dentes aparecem,porém solenes,cheios de prosopopéia.Os alemães vão de um extremo a outro:ou são bem arrumados,impecáveis nos seus uniformes elegantes,com seus navios funcionando com a precisão germânica ou são esculhambados e barulhentos;bebem até cair e adoram uma confusão.Enfim é um mundo fascinante,diferente,competitivo e de certa maneira,perigoso;um mundo onde rola muito dinheiro e também muito mau-caratismo,muito trabalho e muita patifaria,mas quem está dentro não quer sair.
Cabo Verde que vi, não vi; escuridão total. De longe brilharam as luzes da Ilha do Fogo,mas tão tênues e distantes que quase não se percebiam.O “second”ofereceu-me um café com leite no deck;quase não enxerguei a xícara;tentei olhar a ilha pelo binóculo.Nada.Desisti.See you later,amigo;talvez na volta.
Adiantei o relógio mais uma hora; Serão mais três até Barcelona.
Oba acabei vislumbrar Cabo Verde, iluminado como um presépio; eram as duas da madrugada; o céu estava lindo; a Via Láctea cintilava num céu límpido; localizei o Cruzeiro do Sul; com o binóculo se vê bem o contorno da cruz. Foi um espetáculo inesquec ível.
IMG:O Zim Uruguay,singrando os mares
O First,no comando