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quarta-feira, 28 de julho de 2010

VOU TE CONTAR!!!




O Brasil é realmente um país singular!

É o único que foi descoberto e tem certidão e tudo mais.

Foi um presente de Deus ao rei de Portugal, D. Manoel, pois um país tão pequenino,com apenas dois milhões de habitantes na época do descobrimento,viu-se de repente,de posse de um gigante.E muito rico.E sem derramar sangue!

Vá ser sortudo assim no raio que o parta!

Como a maioria dos homens válidos em Portugal, ou estava guerreando mouros ou nos conventos,guerreando com seus instintos,e,como , para a guerra vão os jovens,que,invariavelmente,morrem,sobravam velhos e crianças.

E uma população de cerca de um milhão de mulheres.

Como então povoar o Brasil?

O rei se viu com uma batata quente nas mãos; ou como um sujeito marido de mulher boa, que não consegue dar conta do recado e se vê cercado por fortes garanhões prontos para apanhar a presa:franceses,espanhóis e até,holandeses.

Como desatar o nó?

A Coroa era obrigada a destacar soldados,marinheiros e funcionários para as Indias,cujo comercio não podia descuidar;religiosos,nobres,cortesãos e uma súcia de ociosos não se podia mandar a lugar algum,a não ser com prebendas e benesses.

Com tudo isso,o povoamento do Brasil ficava comprometido.

Como ocupar as terras,habitá-las,colonizá-las e extrair as incontáveis riquezas que este abençoado rincão possuía?

Os índios, habitantes do país,ainda viviam na idade da pedra,indolentes na sua rede,sem saber nem domesticar animais,a não ser araras e papagaios,nem sei bem porque;acho que daí deve ter nascido nossa paixão por barulho,alto-falantes , trios-elétricos,foguetes e coisa e lousa.

Gosto do nordestino pela rede e pelo “dolce far niente” deve ter sido originário daí ,também.

Os índios também gostavam do tucano,ave mal ajambrada que hoje tem seu habitat natural em São Paulo.

O certo é que os ET,que dizem, ensinaram aos incas,astecas e maias os segredos da civilização não passaram por aqui.

Mas,voltemos ao Rei Dom Manoel e seus problemas.

Antes de 1500 era prática corriqueira em Portugal,o estupro da própria mãe.O crime era severamente punido pelas Ordenações Manuelinas, no seu livro V,o código Penal da época: emasculava-se o sujeito.

O Código,extremamente severo,também punia hereges,apóstatas,traição ao Rei,ou falar mal dele(parece que esta punição está sendo aplicada de novo na Venezuela e no Brasil),falsificadores, felação ,assassinatos,roubos,e sodomias.

Sobrava ,claro,para judeus e mouros que dormissem com mulher cristã,padres que dormissem com mulheres ou uns com os outros,os alcoviteiros,os feiticeiros e os que desrespeitassem religiosas.

Esse código draconiano ajudou muito o Rei.

Por dá cá aquela palha o cidadão era condenado á Colonia,ao degredo perpétuo no Brasil.

Nossos patrícios, que hoje tanto se orgulham do nome que herdaram de seus antepassados,desconhecem (ou fingem que não sabem)o porquê destas pessoas terem dado com os costados aqui.

Mas,lá na Terrinha,a quantidade de “convocados” para o Brasil vinha crescendo.

No estupro da mãe, crime que os portugueses já estavam tratando com mais indulgencia,era dado ao criminoso a escolha de ser capado ou vir para o Brasil.

Todos escolhiam ser capados.



Sobre as Ordenações Manuelinas,é uma leitura interessante e que pode ser encontrada clicando o Google;pode-se ver (e ler)ao vivo e a cores,como eram essas leis que hoje repousam nos anais da Universidade de Coímbra.

Por isso eu repito:O Google é meu pastor,nada me faltará!

ACESSE MEU BLOG:salesrocha.zip.net

domingo, 30 de maio de 2010

DIÁRIO DE BORDO, CAP:XX

Numa casa de chá


Estacionamento perto ao restaurante


                                                                  O Castelo


27/4 quarta-feira
Logo cedo fomos levar o Cook-dog para passear; o Aldo já havia chegado desde cedo, foi atender um transatlântico. Assim que chegou trazendo-me lindas flores,saímos;com o “big boss”da Zim aqui ,tudo estava em polvorosa; fomos á padaria,depois levar Cook ao veterinário,pois ele acostumado a meter o dente em qualquer coisa, comeu um peixe com anzol e tudo;o anzol ficou preso no beicinho e tivemos que levá-lo ao doc;O navio iria sair atrasado;Francis e eu combinamos de comer uma pizza;saímos a pé pelo Porto,(,antiqüíssimo,data do sec.Va.c).que tem saídas dificílimas,mil guetos e becos para se cruzar e íamos perguntando pela saída; diziam “per la sinistra”,a gente andava,andava e nada da tal sinistra aparecer.
Súbito voltei 8 anos no tempo.Adivinha quem estava ancorado com todas as bandeirinhas que tinha direito? O navio Europa de tantas lembranças, o primeiro transatlântico que conheci levada pelo Raul.

Depois de almoçarmos á bordo fomos ás compras. O almoço foi agradável,temperei com estórias da Bahia,todos riam, deliciados;o alemão também contou casos de sua terra e de suas viagens;Que cidade cara é Gênova!Mal saí com a Francis meus dólares trocados por liras desapareceram como água; um sapato simples 89000liras cerca de U.S 54; uma prosaica água mineral U.S2; uma corrida de taxi dos arredores do porto até o cais da Líbia, onde estávamos U.S10; Desisti das compras. Voltamos correndo para o barco 16.45hs;A sorte é que só sairíamos ás 18hs,se não seria bronca na certa;Saímos de novo,fomos até o aeroporto levar o Jürgen a caminho da Alemanha;do aeroporto fomos ao Europa,de lá ao escritório dele,o Cap. precisava tratar de alguma coisa;daí fomos comprar vídeos; onde  conhecemos uma peruana,a Rosa,ficamos amigas,trocamos endereços.Perto de desatracar ainda fomos comprar pizza.Como vamos quase vazios sei que o navio vai jogar um bocado;por precaução guardei meus tesouros:a garrafa de azeite,molhos de tomates etc.Ganhei do Aldo um mapa de Gênova e uma echarpe com estampa de nós de marinheiros.Já tenho saudade desta cidade;suas casas antigas,seu povo alegre,suas ruas medievais,suas largas e modernas auto-estradas como a Milan-Genoa,que leva ao aeroporto,sua magia de cidade de mil anos.

São 22.30 h.Gênova ficou para trás; ás 24hs. chegaremos a Livorno.Pretendemos ir á Piza,que fica próximo.René comprou pizza(com dois zz)e abriu uma garrafa de vinho.Meio alegrinha,fui dormir.

Chegamos a Livorno 1h da madrugada; Atracamos por volta das 6hs; a tripulação já está trabalhando, mas, receio que, como tem pouca carga, nem dê tempo sair do navio.

O Europa, que agora só faz a linha do Mediterrâneo pega cerca de 1500 passageiros e tem 3000 tripulantes. Cobra U.S300 por dia para cada passageiro.Seu roteiro é Gênova,Sicilia,talvez Nápoles,Grécia até o Egito.Mas,com a crise econômica na Europa desta vez só leva 450 passageiros.Ah,antes que esqueça:a diária de um bom hotel em Barcelona é de U.S50.

terça-feira, 25 de maio de 2010

MINAS,COMO EU A VEJO!



Depois de trinta longos anos voltei à Minas.

Esse Estado ,cheio de história, magníficas paisagens e um povo único, me encantou desde que cruzei seus caminhos abrindo a boca de espanto ante seu fantástico acervo cultural e a simplicidade dos seus habitantes.

Dessa vez , por conta da Bienal , estive apenas em Belo Horizonte , Belô ,para os íntimos –e,quem não é íntimo dos mineiros,desde que pisa os pés nessa terra abençoada !?-

Passeei pouco por lá; tinha ido a trabalho e árduo é o trabalho do escritor , desde o burilar dos seus textos até a divulgação da sua obra.Mas,pude perceber uma cidade feliz.Muito limpa,policiada,com um sistema de transporte que parece satisfazer a população.

Andei muito de metrô – meu desejo era andar de estação em estação até os pontos finais,mas,não deu –e notei a limpeza dos vagões,a educação do povo,nada de gritos,xingamentos ou batuques,e a cordialidade dos funcionários.

O povo de Minas é uma estória à parte.

O carinho , a afetividade e o respeito que nos oferecem,a receptividade ,o interesse pelo nosso trabalho,a cobertura que tivemos da mídia universitária,tudo isso nos comoveu e nos encheu de alegria.

Enchíamos a boca e dizíamos:

-Mineiro é tudo de bom , sô!

Pude perceber uma rica vida cultural; Minas tem mais livrarias que a maioria dos estados nordestinos e o povo compra livros.

Perdi-me no Mercado Central e quase arraso as minhas parcas economias. Queijos diversos e deliciosos , doces de leite, linguicinhas tentadoras,uma diversidade gastronômica de endoidar qualquer um.

Almocei uma boa comida mineira no restaurante “Dona Conceição” e o gosto daquele leitãozinho à pururuca ainda está na minha memória gustativa e ficará por muito tempo.

Até eu voltar à Minas.

Que seja logo!

quinta-feira, 4 de março de 2010

TONICO, O FILHO DE CAMPINAS

“Talhado para as grandezas
prá crescer,criar,subir...”
Estes versos de um antigo poeta serviria a calhar para o Maestro Antonio Carlos Gomes,mas,infelizmente não foi assim tão verdadeiro.
O menino Tonico,conhecido em toda Campinas como Nhô Tonico,oscilou entre a fama e a tragédia,os aplausos e as vaias,o amor e o ódio,a abastança e a pobreza.
_Sou o mais caipora dos caipiras,ele,dizia de si,entre bem humorado e resignado.
O menino Tonico vinha de uma família musical;seu pai era Maneco Músico e sua mãe,dona de casa.
Marcada pela tragédia,sua vida ainda em começo,enfrentou o nunca esclarecido assassinato da mãe.
Nos primeiros anos,a pobreza era sua companheira e o comer e beber,a luta diária.Maneco,seu pai era um cantador sem eira nem beira, com onze bocas para sustentar.
Criou uma banda,onde tocavam alguns dos filhos,inclusive o futuro maestro.
Aos 15 anos,Tonico compunha valsas,polcas,quadrilhas e aos 18 compôs sua primeira missa “São Sebastião”,dedicada ao pai.Mas,para ganhar o sustento,trabalhava como alfaiate,cortando e talhando calças e paletós.
Seu irmão,José Pedro Santana Gomes ,o Juca,foi seu grande incentivador;
Campinas estava ficando pequena para tanto talento e o Tonico foi para São Paulo.
Lá,entre outras músicas compôs o Hino Acadêmico até hoje o hino oficial da Faculdade de Direito paulista.
Seu destino estava traçado;foi mandado para a Europa às expensas da Empresa de Ópera Lírica Nacional;esteve em Paris,mas,os estudos mesmo foram feitos em Milão,por influencia da Imperatriz Teresa Cristina,ela mesmo,napolitana.
Os imperadores admiravam e respeitavam Carlos Gomes;a seu pedido ,D. Pedro nomeou o velho Maneco mestre da Capela Imperial.

Em Milão,compôs “O Guarani” e foi o primeiro brasileiro a tocar no Teatro Allá Scala e,ouvir de Verdi essas gloriosas palavras:-“”Questo giovanne comincia dove finisco”.(Esse jovem começa onde termino).
O sucesso do jovem brasileiro começou a incomodar os colegas italianos.começaram as intrigas,as retaliações,principalmente,depois da estréia da ópera “Salvador Rosa”. Depois vieram “Fosca”,que ele considerava sua melhor obra,”Maria Tudor” e” Lo Schiavo “,tocada pela primeira vez no Rio de Janeiro,para homenagear a Princesa Isabel
.Começaram os percalços financeiros,pois,todo grande artista é péssimo financista e,o maestro,já casado e com filhos,passou momentos difíceis.
Suprema humilhação:sua ópera,”Colombo” foi vaiada e o maestro voltou para o Brasil;veio para a Terra Mãe,juntar os cacos.
Combalido,abalado pela morte de três dos cinco filhos,Gomes recebeu apoio e guarida no Pará,onde Lauro Sodré,pediu para que ele organizasse o Conservatório daquele Estado;seu sonho de ser nomeado Diretor do Conservatório de Música do Brasil,morreu com a Proclamação da República.Por ser muito ligado ao Imperador,foi vilipendiado,humilhado e esquecido,como é comum acontecer neste pais com os “inimigos do rei”,de plantão,no momento.
O mal que vinha comprometendo sua saúde agravou-se e o maestro morreu em Belém,sem chegar a dirigir o Conservatório que havia criado.
A comoção popular foi grande -todos choravam Carlos Gomes – cuja vida foi tão parecida com uma ópera.
Seu corpo foi retirado do cemitério em Belém,a pedido do Presidente Campos Sales e enterrado em São Paulo.
Hoje,repousa em Campinas,no monumento – túmulo,nesta cidade onde nasceu e conheceu seu único e verdadeiro amor,Ambrosina Correia do Lago,para quem compôs,”Quem sabe”,ainda hoje cantada e consagrada como uma das mais belas canções de amor.
Vocês,certamente,já ouviram suas avós cantarem”Tão longe,de mim distante
onde irá,onde irá teu pensamento...”
Lembraram?
Sabe que não consigo ouvir essa canção sem me emocionar?
E a protofonia do” Guarany” me leva ás lágrimas.
Fazer o que? Sentimental eu sou...
PALAVRA DO LEITOR:
Em 5 de março de 2010 09:54, Carlos Carvalho p/e-mail
A vida de Carlos Gomes se assemelha a de outros gênios da humanidade. Se vivo fosse, talvez dissesse: por que não escolhi ser jogador de futebol, hoje seria "maestro" da bola e estaria milionário. mutatis mutandi.....

José Cláudio Adão,(p/e-mail)escritor mineiro
Quem não é sentimental com coisa de altíssima qualidade? Só se for doente do ouvido ou da cabeça mesmo. Lindo, Miriam. E obrigado pela aula de história da música e desses compositores maravilhosos. Abraços e ótimo fim de semana.


Protofonia do "IL Guarany",ópera de Carlos Gomes.