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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
A ESTÓRIA DO MESTRE
Há muitos verões o Velho Mestre habitava aquela cidadezinha,mas agora,tinha de partir;era chegado o tempo das despedidas.
Seus amigos disseram-lhes:
-Vais embora,mas,antes,conta-nos mais uma estória.
Então,ele sentou-se á sombra da árvore e narrou:
Era uma vez,na casa de uma família,morava um velho avô,com seu filho,sua nora e seu netinho,de seis anos.Ele ajudara seus filhos a edificar aquela casa,enquanto pode, os ajudou nas despesas,mas,agora,alquebrado pela idade e pelo mal de Parkinson,tornou-se um estorvo para o jovem casal.Às refeições,sentava-se á mesa com eles,sempre perto do neto,que o adorava.Mas,sem poder segurar direito a colher da sopa,com sua mão trêmula,derramava o líquido na toalha é,ás vezes até o prato no chão,para desespero de sua nora,que ralhava e criticava.Lágrimas brotavam de seus olhos cansados,mas,ele não dizia nada.Tantas vezes isso aconteceu que a nora deu um ultimato ao marido:ou ele ou eu.Não vou passar trabalho de novo por causa de um velho inútil.O marido tentou acomodar as coisas e combinaram que o avô comeria só,num canto da cozinha,numa gamela de madeira,para não quebrar.O garoto observava tudo com muita atenção.
No dia seguinte,um domingo,o pai ficou intrigado ao ver o filho tentar moldar um pedaço de madeira com o formão e outras ferramentas.Observou-o por um curto tempo,foi perto dele e perguntou:-oi, filhão?que estás fazendo?para que queres essas ferramentas?
-Para fazer logo uma gamela para o senhor,papai;assim,quando o senhor ficar como o vovô,já terá a sua.Sua mulher foi chegando,entreolharam-se,baixaram a cabeça e a mulher foi pôr a mesa do almoço com um prato para o velho.
Há um ditado português que diz: Filho és,pai serás,conforme tratares,assim receberás.
Dedico essa estória a um querido amigo, pai admirável e um homem de bem.
IMG:Busca Google
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
FLIPEIRA DE PRIMEIRA VIAGEM
Bucólico caminho das palavras
Vim à Flip como olheira,interessada em tudo,desde os movimentos culturais que – espera-se – nasçam numa festa literária até descobrir qual é o futuro do livro,já que milito neste território e preciso estar antenada com as coisas.
Receio ter começado do fim pro princípio,pois,comecei a escrever oficialmente na Net,depois virei blogueira e meu primeiro livro solo foi um e-book,o “Maktub”.
Meus dois livros impressos chegaram quase dois anos depois de ter cerca de 500.000 leitores na Rede.
Acabei sendo muito mais conhecida na Europa,França e menos na Bahia,onde posso andar sem guarda – costas,mas,não sem guarda – chuva já que as águas de março transferiram-se para Julho e início de Agosto.
Os performáticos
Interessadíssima,como escrevi,no futuro do livro,minha primeira Tenda foi a de Mr. Darnton,o simpático diretor da Biblioteca de Harvard,ao qual já tinha enviado o “Bahia de Outrora”, para que fizesse parte do acervo desta biblioteca.Tive o prazer de cumprimentá-lo pessoalmente e receber efusivos beija-mãos ,devidos à simplicidade e cordialidade de tão importante historiador.Pois é , Peter Burke (professor emérito da Universidade de Cambridge) e Robert Darnton vieram justamente discutir o futuro do livro,a presença e importância do Google e os futuros livros digitais,mediados pela competentíssima Lilia Schwartz. Prato cheio para mim que vivo dando tratos à bola pensando em e-books,readers e kindles.Darnton comentou a importância de diferentes tipos de livros se fortalecerem uns aos outros,pois há espaço para todos.
Sai tranqüilizada.Se os digitais vierem um dia a aposentar os livros impressos não será por agora.Assim como a TV não aposentou o rádio,nem o cinema,ainda haverá espaço,sim,para os livros tal qual o conhecemos.
Feito em papel comum,couché ou pólen,a novidade da Suzano,quem leria “Guerra e Paz” num kindle?pergunta Burke.Ninguém,eu acho! Burke elogia as enciclopédias virtuais como a Wikipédia,porém,chamando atenção para a “falta de fontes” confiáveis.
Os livros digitais são mais abrangentes e se tornam mais interessantes devido aos aplicativos,áudio ,imagens que prendem melhor a atenção do leitor.
Tendas e telões
Num vídeo exibido na Casa da Cultura,achei muito interessante um homem tentando ensinar a outro como utilizar um livro de papel.-“Passe as páginas aqui pela pontinha”,dizia.”Quando quiser é só fechar o livro e pronto;seus dados ficarão todos armazenados.
Ele ouvia as explicações tão atordoado e abobalhado como eu quando meu neto esposou a tarefa homérica de me ensinar a mexer com o PC.
As crianças,apresentadas ao IPad,não pareceram muito entusiasmadas;conheciam o tablet da Apple;mas,adolescentes se mostraram dispostas a ler um livro inteiro,neste dispositivo,sem problemas.Sinal dos tempos!
No frigir dos ovos,achei a FLIP muito importante como um todo.Apesar de não trazer inovações de estilos ou conteúdos revolucionários e acabar se parecendo com o campus da USP.
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